O calendário de 2026 coloca o Brasil novamente diante de um ciclo eleitoral. Em períodos como este, o debate público se intensifica e as movimentações financeiras relacionadas a campanhas, doações, contratos, nomeações e transições de poder ganham maior visibilidade e complexidade.
Para as instituições obrigadas à PLD-FTP, o cenário exige atenção redobrada às Pessoas Expostas Politicamente (PEPs) e à correta utilização da Lista PEP como instrumento estratégico de identificação, monitoramento e mitigação de Riscos. Mais do que uma Conformidade, trata-se de um pilar na Gestão do Risco Reputacional e Regulatório.
Nesse contexto, soluções estruturadas como o AML Due Diligence tornam-se ainda mais vitais. O uso de tecnologia integrada ao Monitoramento Contínuo, com base de dados atualizada e critérios alinhados às normas setoriais, permite que as instituições antecipem vulnerabilidades, fortaleçam sua Governança e mantenham trilhas de auditoria consistentes para eventuais fiscalizações em ano eleitoral.
O que são as PEPs e por que 2026 exige vigilância ampliada
As Pessoas Expostas Politicamente (PEPs) são indivíduos que exercem ou exerceram cargos públicos relevantes, sendo mantida essa condição por até cinco anos após o término do mandato ou do exercício da função, bem como seus familiares, representantes e estreitos colaboradores, conforme previsto na regulamentação brasileira.
A definição de PEP não implica presunção de irregularidade, mas sim uma classificação de risco agravado de corrupção, suborno, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, especialmente em ambientes de elevada interação entre setor público e privado.
Em anos eleitorais, o contingente de indivíduos que passam a exercer funções públicas ou a integrar frentes de campanha aumenta significativamente. Além disso, a exposição midiática se expande, o que eleva a probabilidade de que instituições mantenham relacionamento direto ou indireto com pessoas enquadradas como PEPs.
Lista PEP: ferramenta operacional estratégica
A Lista PEP é um instrumento indispensável para que instituições financeiras, seguradoras, fintechs, operadoras de apostas, imobiliárias, administradoras de valores mobiliários e demais setores obrigados cumpram suas responsabilidades legais.
Conforme detalhado no “Guia completo sobre PEPs: como gerenciar riscos e cumprir a lei”, a gestão adequada dessas contrapartes exige procedimentos estruturados de identificação, avaliação de risco e Monitoramento Contínuo, alinhados às exigências regulatórias.
Em 2026, o simples cruzamento inicial com uma lista estática não é suficiente. A atualização em tempo real e o monitoramento dinâmico tornam-se imperativos diante das volatilidades no cenário político.
Sem uma base confiável e atualizada, a instituição corre o risco de desenquadrar clientes ou parceiros, gerando lacunas em auditorias e inspeções regulatórias.
Regulamentação e a obrigação de Monitoramento
O monitoramento de PEPs é expressamente previsto em normativos de diferentes reguladores brasileiros, como Banco Central, CVM, SUSEP e COAF.
Entre as exigências normativas estão a adoção de procedimentos de diligência devida (due diligence), a necessidade de anuência por nível hierárquico superior para o início ou a manutenção do relacionamento, o monitoramento reforçado das operações realizadas e a atualização periódica dos dados.
Em ano eleitoral, a observância dessas obrigações ganha contornos críticos, considerando o aumento da exposição midiática, da circulação de recursos e da análise dos órgãos de controle.
O impacto do ano eleitoral na Matriz de Risco
Neste ano de eleição, as instituições devem recalibrar sua Matriz de Risco considerando variáveis sazonais, como o aumento no número de candidatos, o pico de doações partidárias e o aumento de transações com prestadores de serviço.
Esses fatores alteram o perfil de risco e exigem ajustes proporcionais nos controles internos e nos mecanismos de monitoramento. Assim, a Matriz de Risco precisa ser um reflexo fiel do ambiente externo; caso contrário, haverá desalinhamento entre risco identificado e controles implementados, ponto frequentemente penalizado em fiscalizações.
Além disso, é essencial que os critérios de classificação como Pessoa Exposta Politicamente (PEP) estejam rigorosamente alinhados às normas setoriais aplicáveis, uma vez que cada setor apresenta particularidades próprias, e a inobservância da aderência regulatória pode resultar na aplicação de sanções administrativas relevantes.
Due Diligence reforçada: o que muda na prática
A diligência reforçada aplicada a PEPs deve transcender a coleta documental tradicional. Em 2026, recomenda-se especial atenção a:
- Rastreabilidade dos recursos utilizados em movimentações atípicas;
- Capacidade financeira frente ao cargo ocupado;
- Beneficiário final;
- Triangulação com contratos políticos e fornecedores de campanha;
A tecnologia desempenha papel catalisador. Ferramentas automatizadas de triagem, Monitoramento Contínuo e atualização de listas permitem que a instituição atue de forma proativa e escalável.
Contudo, tecnologia sem Governança é ineficaz. É indispensável que a instituição mantenha uma política de KYC (Know your costumer) clara, promova treinamentos periódicos das equipes envolvidas, assegure o registro documental das análises realizadas e preserve evidências auditáveis.
Boas práticas para 2026
O ano eleitoral exige um nível adicional de maturidade na Gestão de Riscos. Não se trata apenas de um checklist, mas de garantir que os controles estejam efetivamente aderentes ao aumento da exposição política e ao maior volume de movimentações financeiras característico desse período.
A intensificação da fiscalização regulatória, a maior visibilidade pública e o potencial impacto reputacional exigem que as organizações revisem seus processos com olhar crítico e preventivo.
Diante desse cenário eleitoral, recomenda-se que as instituições:
- Aumentem a periodicidade de atualização das bases PEP;
- Incorporem indicadores eleitorais na Matriz de Risco;
- Realizem Testes de Efetividade dos Controles Internos;
- Capacitem a “Primeira Linha de Defesa” e o Compliance;
- Documentem todas as decisões relacionadas à manutenção de relacionamentos de alto risco.
Organizações que estruturarem adequadamente seus processos estarão mais preparadas para enfrentar auditorias, inspeções e, principalmente, para proteger sua reputação.
Em um ano eleitoral, o risco não se encerra após as apurações. Ele apenas se transforma. E a gestão eficiente de PEPs é a bússola para atravessar esse ciclo com Segurança, Governança e Credibilidade.
O AML Due Diligence oferece a inteligência necessária para elevar o padrão da sua Gestão de Riscos, transformando a obrigação legal em vantagem competitiva.
A diferença entre obrigação e estratégia está na qualidade da informação utilizada para decidir. Conheça o AML Due Diligence e fortaleça o nível de excelência da sua gestão.