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Treinamento para correspondentes bancários preenche lacuna do mercado financeiro em PLD-FTP

Apesar de estar em vigor desde fevereiro de 2011, a Resolução 3.954 do Conselho Monetário Nacional (CMN), publicada pelo Banco Central do Brasil (Bacen), não é cumprida à risca por todos os correspondentes bancários – modalidade específica de prestadores de serviços para instituições financeiras.

Faz parte desse segmento todo tipo de comércio que está habilitado a oferecer produtos bancários e receber pagamentos de contas. Isso incluí desde casas lotéricas até pequenos comércios. Da mesma forma, lojas de veículos e grandes magazines também entram nessa lista.

Isso significa que todos os correspondentes bancários devem se enquadrar em regras que envolvem, entre outras exigências, a prevenção à lavagem de dinheiro. Caso contrário, a instituição contratante é quem assume inteira responsabilidade pelo atendimento prestado aos seus clientes, por meio do correspondente.

“Como recebem pagamento de contas e até podem abrir contas bancárias, todo negócio que atua como correspondente bancário precisa ter noções sobre a prevenção à lavagem de dinheiro. E é tarefa de quem contrata oferecer o devido treinamento – o que muitas vezes não acontece”, explica Luis Ramiro, diretor especialista da AML Risco Reputacional.

Ciente dessa lacuna no mercado, a AML lançou recentemente um treinamento específico para esse público. Ele abrange as situações mais comuns e pode ser customizado de acordo com o ramo de atividade e o serviço prestado pelo correspondente bancário.

Com colaboradores devidamente capacitados e utilizando ferramentas próprias para a execução de suas atividades, os contratantes de correspondentes bancários se protegem de punições legais, como multas que podem chegar a até R$20 milhões.

Já conhece o Treinamento Online da AML para Correspondentes BancáriosEntre em contato com nossos especialistas.

 

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A responsabilidade socioambiental na construção da reputação institucional

O termo “Responsabilidade Socioambiental” é relativamente novo. Entretanto, as discussões acerca do tema no âmbito empresarial tiveram início já nos anos 70, a partir da publicação do artigo “A responsabilidade social das empresas é aumentar seus lucros” (The social responsibility of business is to increase its profits), escrito por Milton Friedman, para o jornal americano The New York Times. O texto explorou a ideia de que, naquela ocasião, a única responsabilidade social das empresas seria com seus acionistas.

Desenvolvimento Sustentável

Por outro lado, os problemas ambientais causados pela atividade empresarial na época intensificaram os debates sobre o tema. Em 1987, o Relatório Brundtland instituiu o conceito de “desenvolvimento sustentável”. Já no ano de 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUCED), realizada no Rio de Janeiro, consolidou o conceito para todos os países e reiterou a necessidade da responsabilidade ecológica e social das empresas.

No mesmo ano em que ocorreu a CNUCED, aproximadamente 30 bancos em Nova Iorque, com unidades em 23 países, assinaram a “Declaração dos Bancos” para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, comprometendo-se a incorporar as questões de proteção ao meio ambiente e desenvolvimento sustentável em suas operações financeiras.

Já no Brasil, as Políticas de Responsabilidade Socioambiental estão sendo estimuladas cada vez mais pela governança das instituições, principalmente a partir da Resolução 4.327/2014 do Banco Central do Brasil e do Normativo SARB 14/2014 da Febraban.

Além disso, a BM&FBovespa criou o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que divulga uma relação de empresas socialmente responsáveis, com o propósito de atender investidores que desejam privilegiar instituições comprometidas com conceitos mais éticos em sua administração de negócios e reconhecer o desempenho delas no mercado financeiro, como forma de engajar essas práticas no âmbito empresarial.

O papel das instituições financeiras

Ao adotar os requisitos ambientais como critério para disponibilização de crédito às empresas, as instituições financeiras devem consolidar questões importantes no âmbito social, como contribuir para o meio ambiente e proteger o seu próprio patrimônio, uma vez que evita o risco de negócios com clientes, fornecedores ou parceiros com condutas ambientais e sociais inadequadas.

No caso dos bancos, uma das recomendações inseridas no Protocolo Verde – carta de princípios para o desenvolvimento sustentável firmada por bancos públicos em 1995 – é a de que as instituições financeiras fomentem a criação de linhas de financiamento para as atividades de reciclagem e de recuperação de resíduos de áreas de disposição.

É recomendável, ainda, que as instituições financeiras não realizem operações de financiamento ou empréstimos para empregadores flagrados e autuados pela prática de submissão de trabalhadores a condições análogas às de escravo.

De maneira geral, as instituições são desaconselhadas a realizar operações com clientes e fornecedores envolvidos com exploração sexual, trabalho escravo, assédio sexual, trabalho infantil, tráfico de pessoas, apropriação de regiões quilombolas, além de atividades que causem danos ao meio ambiente, como desmatamento, poluição da atmosfera e de ambientes aquáticos, bem como toda intervenção industrial que prejudique a flora e a fauna.

 

A reputação

Reputação é um conceito intangível, mas de fundamental importância para a competitividade e a criação de valor de qualquer empresa. A imagem é formada a partir da percepção que os públicos interno e externo têm sobre uma empresa e essa visão é formada pelo conjunto das ações já concretizadas e pela probabilidade de comportamento futuro da instituição. Desse modo, as empresas que constroem uma boa reputação têm a seu favor o crédito do seu público.

Ter uma reputação elogiável é uma tarefa de longo prazo. Isso envolve a disposição da empresa em executar um trabalho consistente e seguir as leis e as normas que dizem respeito ao seu campo de atuação. As boas práticas de gestão são a base para a conquista da confiança e admiração do público. O que as empresas devem fazer é desenvolver um trabalho sólido e consistente de engajamento com as causas sustentáveis, como o comprometimento com a Lei de Responsabilidade Socioambiental, para mitigar as consequências de eventuais deslizes.

Currículo desabonador

O descumprimento da Lei de Responsabilidade Socioambiental pode ser um parâmetro muito importante para a tomada de decisões no âmbito corporativo. Afinal, quem quer fechar negócios com uma empresa autuada por trabalho escravo ou até mesmo causadora de grandes danos ao meio ambiente?

No cenário social, as empresas têxteis e de confecção se mostram mais propícias ao envolvimento com mão-de-obra escrava e infantil quando não fiscalizam adequadamente a atuação de seus fornecedores. A Zara, rede espanhola de lojas de roupas, calçados e acessórios, sofreu autuações e multas por envolvimento com trabalho escravo, justamente por não ter se preocupado com a execução do trabalho de suas terceirizadas. Como consequência, a marca ainda hoje é naturalmente associada a fatores negativos.

Outro exemplo de reputação seriamente comprometida é o da mineradora Samarco, controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, que, em 2015, foi responsabilizada por um dos maiores danos provocados ao meio ambiente do país, quando a barragem de Fundão, localizada no Município de Mariana, em Minas Gerais, rompeu-se, resultando no derramamento de aproximadamente 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração no Vale do Rio Doce.

Casos como esses evidenciam com clareza o quanto o Risco de Imagem está atrelado a questões socioambientais e, indo um pouco além disso, provocam a reflexão acerca da compreensão plena da responsabilidade civil sobre os fatos, pois, de acordo com o Superior Tribunal de Justiça (STJ), são passíveis de responsabilização: quem faz; quem não faz quando deveria fazer; quem não se importa que façam; quem cala quando lhe cabe denunciar; quem financia para que façam e quem se beneficia quando os outros fazem.

Bom exemplo

O engajamento das empresas no cumprimento da Lei de Responsabilidade Socioambiental possui uma visibilidade positiva interna, que estimula os colaboradores a se envolverem com a causa, e externa, que pode ser um bom exemplo de ações e projetos sustentáveis para outras empresas.

A Faber-Castell, empresa alemã produtora de materiais de escritório, utiliza 100% de madeira reflorestada para a fabricação dos seus EcoLápis, com total aproveitamento da matéria-prima: a madeira e seus subprodutos não utilizados na fabricação são usados na geração de energia, como substrato orgânico para plantas, na fabricação de chapas de aglomerado e em granjas de criação de aves. Além disso, a empresa proíbe a discriminação e o trabalho infantil em todas as suas fábricas e garante que todas as outras condições de trabalho estabelecidas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sejam cumpridas.

As empresas éticas, também chamadas de “empresas limpas” ou “empresas pró-éticas” sabem que o compromisso socioambiental passou a ser um grande diferencial. O reconhecimento dessas virtudes pelos clientes, colaboradores, parceiros, fornecedores e investidores e, sobretudo, pelas comunidades onde atuam, propicia a criação de uma imagem positiva no mercado e, consequentemente, o alcance de maiores níveis de sucesso.

 

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PEP: Circular 3.978 do BACEN traz novo conceito normativo

Nelson Rodrigues de Oliveira*

Quando o Banco Central do Brasil lançou a Consulta Pública n° 70/2019, em 17 de janeiro daquele ano, quem imaginaria que das quase 500 colaborações oferecidas pelos segmentos regulados, ou mesmo do público em geral, mais de 70% delas se refeririam ao tema ‘Pessoas Expostas Politicamente – PEP? Pois foi o que aconteceu.

Foi a Consulta Pública que recebeu o maior número de contribuições da sociedade. Isso em decorrência do destaque dado à época pela imprensa ao fato de que a nova norma retiraria parentes do rol dessa classificação e, consequentemente, das obrigações de medidas a serem observadas pelo mercado financeiro, como a necessária comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, nos casos de indícios de lavagem de dinheiro, por exemplo.

Representantes, familiares ou estreitos colaboradores

Na realidade, o Bacen lançou um aperfeiçoamento conceitual normativo definindo que representantes, familiares ou estreitos colaboradores de Pessoas Expostas Politicamente não seriam mais definidos como PEPs. No entanto, manteve a obrigatoriedade de terem o mesmo grau de tratamento do PEP, ou seja, definir políticas de devida diligência e especial atenção a todos eles, inclusive na classificação desses clientes nas categorias de riscos que cada instituição tem que definir em seus manuais internos.

Essa exigência de rígidos procedimentos idênticos para PEPs ou seus representantes, familiares ou estritos colaboradores está claramente definida na Circular nº 3.978/2020 do Bacen em seu artigo 19 da “Seção III – Da Qualificação dos Clientes”.

O artigo 27 dessa Circular, constante da “Seção VII – Da Qualificação como Pessoa Exposta Politicamente”, incluiu apenas as pessoas que desempenhem ou tenham desempenhado funções públicas eminentes, segundo rol ali listado.

Atualizações conceituais como essas (PEPs e pessoas ligadas a PEPs), podem ter efeitos relevantes nos objetivos e nos trabalhos das instituições a elas subordinadas.

 

Evolução de PEP nos normativos do Bacen

Revendo o assunto PEP, temos que a primeira inserção nos normativos do Banco Central do Brasil que tratou de definir as providências que deveriam ser adotadas pelas instituições financeiras para o estabelecimento de relação de negócios e o acompanhamento das movimentações financeiras de clientes considerados pessoas politicamente expostas. Foi a Circular nº 3.339, de 22 de dezembro de 2006.

O conceito original de PEP foi o de considerar “pessoas politicamente expostas os agentes públicos que desempenham ou tenham desempenhado, nos últimos cinco anos, no Brasil ou em países, territórios e dependências estrangeiros, cargos, empregos ou funções públicas relevantes, assim como seus representantes, familiares e outras pessoas de seu relacionamento próximo.”.

Esse conceito foi mantido na Circular nº 3.461, de 24 de julho de 2009, que atualizou e revogou a Circular anterior, e está mantido até a entrada em vigor da nova Circular 3.978.

Na realidade, caso fossem mantidas as regras fixadas na Circular n° 3.461, o rol de Pessoas Expostas Politicamente poderia tender ao infinito. Imaginemos a situação de um filho de uma PEP, que também é considerado PEP. Quando este se casa, sua esposa já passaria a fazer parte da relação de PEP e com isso todos os seus representantes, familiares e as outras pessoas de seu relacionamento próximo também passariam a ser listadas como PEP. Essa cadeia geraria outra lista de pessoas, e assim por diante. Seria uma lista infindável.

Revisão de procedimentos

No entanto, há um sutil reflexo dessa separação inserida pela nova norma (PEPs e pessoas ligadas), que pode vir a exigir revisão de alguns procedimentos: tem sido comum a prática de ao colher informações cadastrais de clientes, as instituições inserirem em seus formulários um campo declaratório sobre a pessoa ser ou não um PEP. Aqueles que adotam essa sistemática deverão rever seus procedimentos, pois poderão ocorrer situações em que clientes se declarem não ser um PEP mas que, na realidade, podem estar na categoria de representante, familiar ou estreito colaborador de um PEP, o que exige a qualificação e classificação adequada.

E para quem adota essa sistemática, seria trabalhoso lançar um campo próprio com todas as orientações e definições regulamentares para que o cliente possa entender o real alcance de possível declaração.

Por fim, há ainda a necessidade de se avaliar o impacto que a LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados poderá trazer para o processo de coleta de informações cadastrais, já que a norma atual permite a obtenção desses dados em bases públicas, o que, por certo, será bem mais limitado. Mas este é um assunto para outra matéria.

*Nelson Rodrigues é consultor e ex chefe-adjunto do Departamento de Supervisão de Conduta do Banco Central.

Já conhece a Lista PEP da AML? Em conformidade com a Circular 3.978 do Bacen, Resolução CVM 50 e Circular Susep 612, atualmente ela é utilizada por mais de 200 empresas, de diversos segmentos. Entre em contato com nossos especialistas.

 

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Sua empresa segue os procedimentos adequados para um Programa de Integridade e de Compliance Anticorrupção?

Procedimentos que visam o combate à corrupção tiveram início em 2013, com a Lei 12.846, conhecida como lei Anticorrupção, que prevê a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira.

Dessa lei, surgiu o Decreto nº 8.420/2015, que a regulamenta. Para seguirem a determinação destas normas, as empresas precisaram implantar um Programa de Integridade para detectar e sanar desvios, fraudes, irregularidades e atos ilícitos praticados contra a administração pública. Porém, para a implantação de tal programa é preciso instaurar alguns procedimentos e seguir os direcionamentos estabelecidos nas normas.

Alguns procedimentos chave para um Programa de Integridade

  • Comprometimento da alta administração;
  • Regras, instrumentos e padrões de conduta (como código de ética e de conduta, canais de denúncia, treinamentos, comunicação), aplicáveis aos colaboradores, administradores e estendidos a terceiros, quando necessário;
  • Treinamentos periódicos;
  • Registros, controles internos e procedimentos específicos para evitar fraudes;
  • Instituição de uma instância responsável independente;
  • Devida diligência para contratação e supervisão de terceiros;
  • Monitoramento contínuo.

Processo Administrativo de Responsabilização – PAR

Tais cuidados servem para evitar a prática de atividades ilícitas contra a administração pública. Porém, de acordo com a lei, se mesmo assim alguma prática irregular for descoberta, será conduzido o Processo Administrativo de Responsabilização – PAR, que poderá resultar na aplicação de sanções administrativas à pessoa jurídica, como o pagamento de multa de 0,1% até 20% de seu faturamento bruto, a publicação da decisão sancionadora (que configura um grande risco reputacional), além da possibilidade de punição judicial dos administradores da pessoa jurídica, caso seja comprovado o seu envolvimento direto. Assim, as empresas devem tomar medidas para solucionar rapidamente as infrações encontradas.

Responsabilidade Subjetiva e Responsabilidade Objetiva

Quando se comprova a responsabilidade dos administradores da empresa nos atos de corrupção, ocorre a chamada responsabilidade subjetiva, que depende de um processo judicial, com a devida comprovação do seu envolvimento. Entretanto, quando não há a comprovação da participação direta dos representantes ou donos das empresas, ocorre a responsabilidade objetiva da pessoa jurídica: “a empresa responderá por atos de corrupção (suborno com pagamento de propina por parte da empresa a um funcionário público), mesmo se não houver envolvimento direto por parte dos representantes ou donos. A empresa será responsabilizada se ficar comprovado que ocorreu o ato de corrupção por um funcionário direto ou por um empregado terceirizado. A companhia responderá por qualquer ato que beneficie a empresa, mesmo sem o consentimento dos responsáveis.”

Ao observar a lei, nota-se também a instituição do acordo de leniência, que possibilita à companhia uma redução de até dois terços da multa, caso reconheça o ato e coopere com as investigações de forma efetiva.

Porém, melhor do que realizar um acordo de leniência, é trabalhar para evitar a prática dessas atividades ilícitas, por meio da adoção de mecanismos de controle e políticas internas anticorrupção, que consistem na auditoria e incentivo à denúncia de irregularidades, na aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta, políticas, diretrizes e ferramentas com objetivo de detectar e sanar desvios, fraudes, irregularidades e atos ilícitos praticados contra a administração pública, nacional ou estrangeira.

 

Assim, o Programa de Integridade está diretamente relacionado com o Compliance, e voltado em especial ao tema Anticorrupção, pois tem o foco de evitar desconformidades no âmbito de contratos e serviços com o setor público, bem como combater fraudes e corrupção, nos termos da Lei 12.846/13. Tudo isso é feito por meio do acompanhamento dos processos, mas também por uma mudança de cultura na empresa, em que determinadas práticas são combatidas e sua denúncia é incentivada por meio de canais seguros dentro da empresa.

Lei Anticorrupção – como as empresas estão se posicionando

Para compreender as consequências da Lei Anticorrupção nas empresas, uma pesquisa foi realizada pela consultoria Protiviti, em 2018, com 446 empresas, e aponta:

  • 36% destas organizações ainda estão com o nível de Compliance médio baixo e baixo, em extrema situação de exposição a riscos de corrupção.
  • 54% das instituições analisadas nunca mapearam os riscos de exposição, mesmo depois da regulamentação da Lei Anticorrupção no país.
  • Apenas 51% adotaram processos de análise de terceiros para identificar os eventuais riscos vindos de prestadores de serviços ou parceiros de negócios externos.
  • 62% das companhias disponibilizam um canal de denúncia como ponto de interação para os colaboradores relatarem atos ilícitos dentro da companhia.
  • 71% das empresas afirmam ter um código de ética formalizado.
  • 40% possuem área de Compliance.

Apesar dos números parecerem alarmantes, houve um aumento em relação ao ano anterior. Do mesmo modo, também é possível perceber que o Compliance, o Programa de Integridade e as práticas anticorrupção estão se tornando cada vez mais conhecidos e aplicados por empresas de diversos setores.

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Sanções internacionais: particularidades regulatórias e consequências práticas

Em vigor desde 11 de junho de 2019, a Resolução nº 31 do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), que disciplina procedimentos a serem adotados para a aplicação imediata de sanções para os segmentos sujeitos à sua regulação e fiscalização, ainda gera dúvidas.

Por definição, a sanção é uma resposta lícita a um ato ilícito. Na esfera internacional, elas envolvem ações não apenas financeiras, mas também a suspensão de relações diplomáticas, do direito de votos em órgãos internacionais e até embargos navais e aéreos, por exemplo.

Geralmente aplicadas a empresas, indivíduos e nações que violam direitos humanos e financiam o terrorismo, elas são divididas em três categorias distintas:

Tipos de Sanções

Sanções Internacionais: É a Lista do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), que deve impreterivelmente ser cumprida por todos os países membros da ONU. Em caso de não cumprimento, a nação integrante estará sujeita a ações não coercitivas, como uma mediação, ou embargos e sanções econômicas.

Sanções Nacionais Estrangeiras: Cada país estrangeiro (fora da jurisdição brasileira) pode desenvolver a sua própria, seguida nacionalmente. Os exemplos mais conhecidos são a Lista OFAC, a Lista da França e a Lista da União Europeia (esta última também pode ser considerada Internacional por envolver todos os países europeus integrados ao bloco).

No caso específico da OFAC, ela é dividida em dois grandes grupos: sanções primárias, que se aplicam aos nascidos nos Estados Unidos e residentes, entidades organizadas sob as leis norte-americanas, como multinacionais com filiais sob sua jurisdição, e indivíduos dentro do país; e secundárias, que podem atingir qualquer pessoa ou entidade em qualquer local do globo – como ocorre atualmente com a Síria e o Irã.

Sanções Nacionais (Internas – jurisdição brasileira): Apesar da Lei 13.810 determinar que o “Ministério da Justiça e Segurança Pública manterá lista de pessoas naturais e jurídicas e entidades cujos ativos estão sujeitos à indisponibilidade em decorrência de resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas ou de designação de seus comitês de sanções, de requerimento de outro país ou de designação nacional”, nenhuma lista nacional brasileira foi publicada até o momento.

 

Sanções internacionais na legislação brasileira

O Brasil está sujeito por Lei à lista internacional da ONU. Isso significa que quando o nome de um cliente aparece nessa lista, as instituições têm a obrigação de bloquear o ativo e comunicar ao órgão regulador – o que inverte a lógica a que estão acostumadas em PLD-FTP, onde o congelamento é feito depois da comunicação.

De acordo com a Resolução nº 31 do COAF, quando isso ocorre, a instituição não deve explicações ao cliente sobre a razão do bloqueio. Após congelar os bens, ela precisa comunicar ao órgão regulador – cabendo ao Poder Judiciário comunicar o cliente. Porém, como as listas são públicas, é praxe fora do Brasil informar o motivo do bloqueio, o que garante ao sancionado a chance de apresentar o quanto antes sua defesa.

O não cumprimento de regras pode levar a sanções que vão desde uma censura pública por parte do regulador, até uma multa ou aplicação de restrição de determinado mercado – uma instituição financeira pode ficar proibida de negociar em determinada moeda ou mesmo restrita a determinado tipo de produto ou serviço.

Essas restrições podem ser temporárias ou permanentes. E uma violação às sanções pode gerar ações criminais, que têm como réu não apenas a instituição financeira, mas também um funcionário da empresa que tenha atuado de forma negligente ou que estava em conluio com o propósito de burlar o controle.

Os impactos operacionais envolvem a perda de clientes, por restrições de mercados ou produtos e serviços, o que faz com que muitos não queriam ter suas imagens vinculadas a alguém que foi penalizado por não cumprir determinada legislação. Atrelada a isso, ainda existe a perda financeira pelo pagamento de multas e eventual redução de receitas – e o custo operacional para remediar essas deficiências. E, finalmente, existe o dano de imagem e reputação.

A severidade das perdas está relacionada à materialidade das relações: quantidade de transações efetuadas, volume de dinheiro e, principalmente, se a instituição comunicou ao regulador essas violações ou se são frutos de uma investigação. O ideal é voluntariamente comunicar todos os problemas.

 Listas nacionais estrangeiras

Apesar de não serem validadas dentro do território nacional, as listas estrangeiras, como a OFAC, influenciam a tomada de decisões de instituições brasileiras que queiram evitar problemas com sanções extraterritoriais. Isso porque empresas estrangeiras podem ser punidas pela OFAC em situações específicas.

Funciona como um sistema de franquia. A partir do momento em que uma instituição brasileira faz negócio com uma empresa dos EUA, ela é inclusa por extensão nas obrigações daquele regulador (sanções nacionais impostas por empresas estrangeiras). Isso se aplica, por exemplo, a quem fizer negócio com uma das duas principais bandeiras internacionais de cartões de crédito, que são norte-americanas.

Por isso, ao invés de congelar os bens do cliente, algo que a instituição não é obrigada a fazer no Brasil em casos relacionados às listas internacionais, como a OFAC, o ideal é encerrar o serviço – evitando sanções internacionais.

 

Formas de controle

Existem basicamente dois grupos de controle a serem adotados pelas instituições sujeitas à regulação e fiscalização do COAF. O primeiro é voltado ao cliente. Ele deve acompanhá-lo ao longo de toda relação comercial com o objetivo de certificá-lo para que não seja alvo de sanções – o que inclui pessoas ligadas a ele.

Depois existem os controles relacionados às transações. As de maior risco são as internacionais, como ordens de pagamento e investimentos. Nesses casos, o controle é feito por meio de triagens baseadas nas listas de sanções. Isso deve ser feito sempre antes da remessa da transação e da finalização da operação.

No caso de transações de comércio exterior, além dos dados do solicitante e do beneficiário, deve-se verificar informações referentes a outros pontos envolvidos, como origem e destino final de mercadorias e agentes de logística.

Automatização de processos

Existem maneiras de monitorar as listas. O mais importante é levar em consideração a capacidade física e tecnológica baseada no tamanho do portfólio da instituição. É factível checar uma lista quando o portfólio é pequeno, em casos em que a consulta ocorre apenas uma vez, no ato de onboarding do cliente.

Isso não se aplica às instituições que possuem um portfólio grande, pois as listas OFAC são recorrentemente atualizadas. Por isso, o ideal é contar com ferramentas que baixem as listas e entendam o que é um false match, por exemplo. Esse é um grande desafio, pois é preciso checar não apenas números, mas também nomes e fonéticas – se houver erro em uma letra ou traço, a informação não será capturada.

O sucesso na prevenção das sanções internacionais depende de um sistema de triagem efetivo, que permite à instituição conhecer os riscos envolvendo seus clientes. Para isso, é importante contar com empresas como a AML Risco Reputacional, que têm know how em tecnologias aplicadas às listas restritivas, como a ferramenta AML Due Diligence.

Entre em contato conosco para conhecer os benefícios de nossos módulos de listas de sanções nacionais e internacionais.