O que é sanitização e para que serve?

A sanitização se tornou prática fundamental nas ações de prevenção e combate à lavagem de dinheiro

O aperfeiçoamento das atividades de prevenção e combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo deve ser estimulado continuamente. Por essa razão, as instituições financeiras precisam adotar medidas cada vez mais sofisticadas e dinâmicas para evitar não apenas os prejuízos diretos, como aqueles decorrentes de fraudes, mas também os indiretos, como o risco reputacional relacionado a diversas práticas ilícitas.

Nesse sentido, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) instituiu o Normativo SARB 011/2013, que estabelece procedimentos para o fortalecimento das melhores práticas nacionais e internacionais de controle. O normativo recomenda, entre outras diretrizes, algumas ações que devem ser executadas de maneira integrada, como a aplicação dos chamados “Programas Conheça”. Tratam-se dos programas Conheça seu Cliente (KYC – Know Your Customer), Conheça seu Funcionário (KYE – Know Your Employee), Conheça seu Fornecedor (KYS – Know Your Supplier) e Conheça seu Parceiro (KYP – Know Your Partner).

Todavia, levando-se em conta o volume significativo de informações passíveis de análise, torna-se necessária a adoção de procedimentos automatizados para a verificação em massa dos dados disponíveis. Pensando nisso, a AML Consulting desenvolveu o processo denominado “Sanitização”.

A Sanitização, referenciada pelo Banco Central do Brasil como “Batimento”, consiste no processo de cruzamento periódico entre as bases de dados do Risk Money Management System e os registros da instituição financeira sobre os seus clientes, funcionários, prestadores de serviços, correspondentes, parceiros comerciais e todas as demais pessoas físicas e jurídicas com as quais sejam mantidas relações de negócios.

O resultado desse cruzamento revela aquilo que há em comum em ambas as bases de dados. Assim sendo, a instituição financeira obtém, tempestivamente, a identificação de pessoas envolvidas em infrações penais – como corrupção, lavagem de dinheiro, fraude, tráfico de drogas, trabalho escravo e outros –, das pessoas politicamente expostas, de nomes veiculados em listas internacionais, incluindo as pessoas acusadas de envolvimento com o terrorismo e o seu financiamento, além daquelas com informações abonadoras ou desabonadoras relacionadas à Lei de Responsabilidade Socioambiental.

Isso acontece porque o Risk Money possui mais de meio milhão de registros sobre pessoas físicas e jurídicas que representam riscos elevados e, portanto, devem ser monitoradas com especial atenção.

A rapidez na identificação dessas pessoas é o grande diferencial do processo de Sanitização. Essa agilidade otimiza o tempo de análise e favorece a tempestividade nas comunicações de operações e situações suspeitas de lavagem de dinheiro, além de permitir tomadas de decisões mais assertivas sobre a continuidade ou não da relação de negócios com pessoas que possam representar risco de imagem para a instituição.

Na visão de Alexandre Botelho, sócio diretor da AML Consulting e especialista em prevenção à lavagem de dinheiro e fraudes: “Trata-se de um processo bastante dinâmico e assertivo, pois permite, de maneira tempestiva, a identificação e a mensuração de riscos, bem como a eventual descontinuidade das relações de negócios nocivas para a instituição, as quais, geralmente, acabam por afetar irremediavelmente a sua imagem”.