WSJ: EUA investigam responsável venezuelano por suspeitas de envolvimento no tráfico de cocaína

As autoridades judiciais dos EUA estão a investigar altos funcionários do Estado venezuelano – incluindo o presidente do Congresso – por suspeitas que o país esteja a ser transformado num “hub” do tráfico de cocaína e de lavagem de dinheiro, de acordo com


Procuradores norte-americanos estão a investigar vários elementos de topo do Estado venezuelano. Em causa estão suspeitas que estes membros do topo da hierarquia de Caracas – incluindo o presidente do Congresso – estejam a transformar o país num "hub", ou seja num centro, para o tráfico de cocaína e de lavagem de dinheiro, de acordo com um artigo publicado pelo norte-americano Wall Street Journal (WSJ) que cita mais de uma dezena de fontes, e que está a ter eco na imprensa internacional.

Segundo o jornal, uma unidade de elite do organismo de combate às drogas (DEA na sigla em inglês) e o Ministério Público federal de Nova Iorque e de Miami estão a construir o caso utilizando provas facilitadas por antigos traficantes de droga que no passado foram próximos dos altos funcionários venezuelanos e outros informadores. Um dos alvos principais desta investigação será Diosdado Cabello, Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, e visto como o segundo homem mais poderoso do país a seguir ao Presidente Nicolás Maduro.

Uma das fontes do WSJ contou à publicação que há "provas extensas" que indicam que o presidente da Assembleia Nacional é um dos "líderes senão o líder do cartel". Este meio de comunicação sustenta ainda que as investigações estão avançadas. Contudo, qualquer acusação será selada e mantida em segredo até ao momento em que possa ser feita uma detenção. Algo que só deverá acontecer se os suspeitos viajarem para o estrangeiro.

Na base destas investigações, explica o jornal citando fontes, está uma resposta à "explosão do tráfico de droga" nos países ricos em petróleo. Depois das autoridades colombianas terem lançado medidas mais agressivas de combate ao tráfico de drogas, muitos traficantes colombianos transferiram o seu negócio para a Venezuela. Este último país não produz cocaína. Ainda assim, os Estados Unidos estimam que cerca de 131 toneladas de cocaína – cerca de metade do total produzido na Colômbia – foi transferido para a Venezuela em 2013.

Para construir este caso os Estados Unidos estão a trabalhar com exilados venezuelanos bem como com outras pessoas que estão descontentes com a situação do país. Segundo conta uma fonte deste jornal, as autoridades norte-americanas conseguem fazer sair da Venezuela pessoas que tenham provas das ligações dos altos funcionários ao tráfico de droga, sendo o objectivo reunirem-se em outros países. Se os desertores conseguirem dar informações úteis, são levados para os Estados Unidos e é lhes dada uma vida nova. Os antigos militares do regime de Caracas que vivem no exterior dão também um contributo importante.

Situação económica dramática

Segundo o jornal, as investigações ganharam um grande impulso nos últimos dois anos, época em que a situação económica no país se agravou. É que o acentuar das condições económicas foi mais fácil recrutar informadores.

A Venezuela é um dos grandes produtores de petróleo. Com a queda dos preços da matéria-prima nos mercados internacionais a partir de meados do ano passado, a situação económica de Caracas agravou-se. Longas filas de venezuelanos para comprar mantimentos são frequentemente relatadas pela imprensa internacional. Além disso, o clima de insegurança no país faz habitualmente parte dos noticiários quer em Portugal, quer em outras geografias.

A inflação no país ultrapassava os 60% no ano passado, de acordo com uma notícia do El País publicada em Fevereiro deste ano, sendo que a economia venezuelana entrou em recessão desde meados do ano passado. O Fundo Monetário Internacional aponta para uma contracção económica na ordem dos 7% para este ano depois de em 2014 o PIB ter caído 4%.

Perante um cenário de recessão, no final do ano passado, o Presidente Maduro anunciou medidas como alteração do sistema cambial e reformas fiscais, de acordo com o El País.