Venda de câmbio manual não pode facilitar lavagem de dinheiro, diz BC


O Banco Central quer evitar que a necessidade de disseminação do câmbio manual pelo país, em função de eventos esportivos internacionais como a Copa do Mundo em 2014, seja uma porta para a lavagem de dinheiro.

"Não se busca o benefício da modernização do câmbio manual a qualquer custo", disse hoje o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini.

"O Banco Central quer tomar alguns cuidados em especial para evitar a lavagem de dinheiro", afirmou ele, ao abrir seminário sobre "Câmbio Manual e Transferências de Pequenos Valores" em Brasília.

A uma plateia de executivos bancários e, principalmente, agentes que atuam no setor turístico, Tombini justificou que quer um diagnóstico da situação no país, em função de eventos esportivos, como a Copa das Confederações, em 2013, preparatória para a Copa do Mundo em 2014, e a Olimpíada de 2016. "Queremos conhecer quanto da estrutura e suprimentos desses setores estão adequados a esses novos desafios", disse.

Ele citou breve histórico sobre a abertura cambial no país, que saiu do câmbio fixo para o regime de câmbio flutuante até unificar mercados em 2005. Recentemente, o Conselho Monetário Nacional aprovou o fim da exigência do contrato de câmbio para transações inferiores a US$ 3 mil.

Isso vai permitir que os vários agentes do setor de turismo, assim como lotéricas e agências dos Correios, possam trocar e vender até US$ 3 mil, ampliando os postos de atendimento com vistas à ampliação da demanda futura.

Para o presidente do BC, é necessário avançar nesse processo, mas "preservando a segurança das operações e, sobretudo, a prevenção e combate à pratica de lavagem de dinheiro em todos os níveis", reiterou ele.

"Todo o processo de estabilidade da economia brasileira e a redução das vulnerabilidades externas permitiu avanço na modernização e simplificação das regras de câmbio no país. Esse processo se deu com segurança e com cautela", e assim deve prosseguir, enfatizou ele.

Tombini destacou ainda que a expansão econômica do país ampliou o tráfego de turistas estrangeiros ao país, e de brasileiros para fora. Aumentaram as transferências unilaterais, remessas de recursos de brasileiros residentes no exterior ao país, assim como de pequenos valores por pessoas e empresas. Todas essas operações cambiais devem continuar sendo feitas de maneira "segura", disse o presidente do BC.