Transporte de 944 quilos de cocaína detona crise na Força Aérea Argentina


A descoberta de um carregamento de 944 quilos de cocaína num avião que transportou três argentinos até o aeroporto de Barcelona provocou uma delicada crise na Força Aérea Argentina (FAA).
 
O incidente ocorreu em 6 de janeiro passado e desde então os irmãos Gustavo e Eduardo Juliá e o piloto da aeronave, Matias Miret, estão detidos na Espanha. Os três são filhos de ex-brigadeiros da FAA, fato que levou a ministra da Segurança, Nilda Garré, a solicitar uma investigação judicial sobre o caso, para determinar se a droga saiu da Argentina. Esta semana, os tribunais de Buenos Aires convocaram 18 oficiais da FAA para prestar depoimento.
 
"Diante da mais mínimia possibilidade de vínculo (da FAA) as autoridades serão muito firmes e adotarão as medidas que correspondam" afirmou ontem o ministro da Defesa, Arturo Puricelli. Segundo ele, o escândalo provocou "indignação e raiva nos homens da Força Aérea".
 
"A FAA está afetada pela triste circunstância de que estas figuras tiveram um vínculo com a FAA já que seu pai (José Juliá, já falecido) foi chefe do Estado Maior na década de 90" – lamentou o ministro argentino.
 
O caso, que está em mãos do juiz Alejandro Catania, já provocou o afastamento do ex-chefe da Base Aérea de Morón (localizada na província de Buenos Aires), Jorge Ayerdi. Depois de a própria ministra da Segurança ter afirmado, na última segunda-feira, que "os últimos dados nos levam a pensar que a droga pode ter sido embarcada na Argentina", o juiz está investigando em detalhe os movimentos do avião Challenger 604 nos aeroportos de Ezeiza, Morón e Mar del Plata.
 
Nas primeiras semanas após a detenção dos três argentinos, a Casa Rosada insistiu em dizer que os 944 quilos de cocaína não tinham saído da Argentina. O ministro do Interior, Florencio Randazzo, chegou a afirmar que a "droga foi embarcada em Cabo Verde, onde o avião realizou uma escala técnica". Porém, a afirmação do ministro perdeu todo valor após as declarações de Garré esta semana.
 
Líderes opositores acusaram a ministra da Segurança, que até dezembro comandava a pasta da Defesa, de ser a principal responsável do caso.
 
"A droga saiu da Argentina, quando Garré ainda era ministra da Defesa" assegurou a deputada e candidata à Presidência Elisa Carrió.