Tio Patinhas tupiniquim


Personagem dos quadrinhos que acumulava fortunas em casa, Tio Patinhas parece ter inspirado muitos brasileiros e cata­rinenses. Será que guardar dinheiro em casa é mais seguro do que de­positá-lo no banco?

Qual seria o mistério sobre os bi­lhões de reais informados anu­almente pelos contribuintes nas declarações de Imposto de Renda Pessoa Física? Esse dinheiro exis­te mesmo?A Operação Tio Pati­nhas, da Receita Federal em Flo­rianópolis, confirmou o que já se suspeitava: trata-se, na maioria dos casos, de informação fraudu­lenta, valores fictícios utilizados para sonegações fiscais futuras, corrupção e lavagem de dinheiro. A ação, que teve início no Estado em 2018, incluiu em malha fiscal milhares de contribuintes para esclarecimentos dos valores de­clarados em espécie e guardados em casa.

Os resultados são incontestáveis. No comparativo de valores decla­rados entre 2016 e 2017, houve, no Brasil, redução de 9% do total de dinheiro em espécie informados à Receita Federal – SC é responsável por 49% dessa redução.

Conforme o Banco Central, o total de moeda em circulação no Brasil em dezembro de 2016 era de R$ 232 bilhões. Mas pessoas físicas decla­raram à Receita possuírem R$ 220 bilhões em espécie – guardavam em casa 95% de todo o dinheiro em circulação no país. Esse número por si já seria um claro indício de fraude. Sobretudo num país onde o histórico inflacionário mostra que guardar dinheiro embaixo do col­chão significa literalmente perder dinheiro.

Transações em dinheiro são uma preocupação mundial. Países eu­ropeus já têm instrumentos legais para coibir e dificultar a circulação de grandes quantias em espécie. Alguns estudam extinguir com­pletamente o uso do papel-moeda. Enquanto isso, em terras tupini­quins, malas de dinheiro circulam livremente.

Aqui, a ausência de leis coercitivas e de punibilidade alimenta diaria­mente a criatividade dos infratores. A Operação Tio Patinhas deixa claro que não basta “inventar” dinheiro na declaração de Imposto de Renda, é preciso comprovar a existência e origem lícita para não ter proble­mas com o Leão.