Suspeito de chefiar quadrilha de hackers que desviou R$ 10 milhões de contas se entrega à PF

Suspeito será levado para a Casa de Prisão Provisória de Palmas. Grupo teria furtado R$ 10 milhões de contas bancárias em vários estados do país; suspeitos tinham vida de luxo.


Air Otávio Cândido Neto se entregou nesta segunda-feira (20) à Polícia Federal, em Palmas. Ele é suspeito de ser um dos chefes de uma quadrilha especializada em crimes virtuais que desviou cerca de R$ 10 milhões de contas bancárias com ajuda de hackers da Rússia e de Hong Kong, na China. O grupo atuava em todo o país e foi desarticulado em março deste ano durante a operação Código Reverso.

O suspeito se apresentou espontaneamente, acompanhado de advogados, e deve ser levado para a Casa de Prisão Provisória de Palmas. O G1 ainda tenta contato com a defesa dele. Segundo a Polícia Federal, o inquérito sobre o caso foi concluído e enviado para o Ministério Público Federal.

Em março, cinco pessoas foram presas preventivamente e uma temporariamente. Além disso, 11 pessoas foram levadas para depor e 24 mandados de busca e apreensão cumpridos. Duas pessoas estavam foragidas, uma delas era Neto.

Conforme as investigações da Polícia Federal, a quadrilha era dividida em três níveis e atuava com três tipos de fraudes: pagamento de boletos, compras pela internet e transferência de valores. As investigações começaram após um homem ter mais de R$ 10 mil furtados da conta bancária em Palmas.

A fraude

A quadrilha presa durante a operação Código Reverso, da Polícia Federal, mandava e-mails com vírus em nome de instituições financeiras para ter acesso a computadores de correntistas. A informação é do chefe da delegacia de Repressão a Crimes Fazendários, Luiz Felipe da Silva. Ele explicou que as vítimas acessavam os e-mails e, desta forma, permitiam que o grupo tivesse acesso aos computadores.

Segundo as investigações, ao acessar os links um vírus era baixado para os aparelhos. Quando a pessoa entrava na conta bancária, a quadrilha colocava uma tela falsa idêntica à do banco para a vítima pensar que estava acessando o sistema verdadeiro.

Enquanto isso, o grupo entrava na conta para desviar dinheiro, fazer compras e clonar cartões. Dessa forma, a fraude é feita utilizando o próprio computador e endereço de IP da vítima, que aparece como o responsável pelo crime. A polícia está investigando se a quadrilha usou também e-mails em nome da Polícia Federal.

Lavagem do dinheiro
Conforme a PF, a quadrilha realizava pagamentos, transferências e compras pela internet, burlando os mecanismos de segurança dos bancos, e gerando prejuízos de R$ 10 milhões em nove meses.

Os membros da organização, segundo a polícia, têm alto padrão de vida e se utilizam de diversas empresas de fachada para movimentar e ocultar os valores desviados, investindo grande parte em moedas virtuais como a bitcoin, para fazer lavagem de dinheiro.

A Justiça determinou a indisponibilidade de bens e o bloqueio das contas bancárias dos investigados e também de moedas virtuais.

Conforme a PF, foram intimadas pessoas com participação nas fraudes, inclusive empresários que teriam procurado criminosos para obter vantagem competitiva no mercado e receber descontos de cerca de 50% para quitar impostos, pagar contas e fazer contas, através de pagamentos feitos pela quadrilha.