Suspeitas de lavagem de dinheiro em bancos europeus cresceram em 2018, afirma DBRS

Segundo os analistas da agência de ‘rating’ canadiana, na última década (entre 2010 e 2018) tinham sido registados, em média, dois casos destes por ano, mas só no ano passado o número escalou para sete.


A DBRS considera que, no ano passado, houve um aumento no número de casos de alegado branqueamento de capitais nos quais estão envolvidos bancos supervisionados pelo Banco Central Europeu (BCE). Num relatório divulgado esta quinta-feira, a agência de notação financeira defende que a estrutura é “ineficaz” devido à diferença nas jurisdições europeias e à disparidade nos recursos alocados para o combate a este crime.

Segundo os analistas da agência de ‘rating’ canadiana, na última década (entre 2010 e 2018) tinham sido registados, em média, dois casos destes por ano, mas só em 2018 o número escalou para sete. Na lista de instituições financeiras contam-se as seguintes: Rabobank; ING Groep; Danske Bank; Versobank, Pilatus Bank e ABLV Bank. A investigação referente ao banco dinamarquês ainda está em curso.

Apesar de assinalar os “esforços” para fortalecer a legislação neste sentido, o problema apontado pela DBRS é o facto de a supervisão do cumprimento das regras anti lavagem de dinheiro competir sobretudo às autoridades nacionais, o que torna o controlo menos eficiente do que se estivesse nas mãos de uma entidade central a nível europeu.

“Em dezembro de 2018, após uma série de questões relacionadas com lavagem de dinheiro na Europa, principalmente com o Danske, o Conselho Europeu adotou um plano de ação para melhorar a monitorização nas jurisdições europeias. No entanto, a ampla variação na eficácia dos controlos, provavelmente, continuará a tornar a supervisão menos clara e eficaz do que se fosse tratada por uma autoridade central”, refere a DBRS, no documento publicado esta manhã.

A agência com sede em Toronto aponta as sanções monetárias para este crime também aumentaram ao longo do último ano. “Em setembro de 2018, por exemplo, o ING Groep teve de pagar 775 milhões de euros ao Ministério Público holandês devido a violações relacionadas com irregularidades naa due diligence do cliente”, exemplifica a DBRS. No entanto, estes especialistas acreditam que as penalizações na Europa foram “muito mais baixas” do que nos Estados Unidos da América.