Seita religiosa é suspeita de trabalho escravo em Minas, Bahia e São Paulo

Polícia Federal cumpre mandados em seis cidades mineiras. Investigados convidavam fiéis a doar bens


Uma operação da Polícia Federal desarticulou, na manhã desta segunda-feira, uma seita religiosa suspeita de manter trabalhadores em regime de escravidão em Minas, Bahia e São Paulo. Segundo a PF, o grupo é investigado ainda pela prática dos crimes de tráfico de pessoas, estelionato, lavagem de dinheiro e outros.

Até o fim da manhã, agentes da PF prenderam quatro pessoas em São Paulo e duas estão sendo procuradas. Elas serão levadas para delegacia da PF em Varginha. Cinco veículos foram apreendidos e a operação ainda não foi finalizada.

Ao todo, a corporação cumpre 129 mandados, sendo seis de prisão temporária, seis de busca e apreensão e 47 de condução coercitiva e 70 de sequestro de bens, envolvendo imóveis, veículos e dinheiro. Em Minas, a ação está concentrada em Pouso Alegre, Poços de Caldas, Andrelândia, Lavras, Minduri, São Vicente de Minas – Sul do estado – e Carrancas (Campo das Vertentes). Os municípios baianos de Remanso, Marporá, Barra, Ibotirama, Cotegipe e a capital de São Paulo também são alvos da operação.

As investigações mostram que o grupo começou a agir em 2007, em Ribeirão Preto, de onde migraram para o Sul de Minas após denúncias de trabalho em fazendas na região da cidade paulista.

Em 2013, a PF identificou a prática do mesmo crime em uma propriedade rural de Minduri e começou a monitorar os líderes religiosos. Nessa mesma época, os investigados já atuavam no estado da Bahia. A PF explicou que as cidades escolhidas são os locais onde existem sedes da igreja da qual faziam parte.

Conforme a polícia, os fiéis que ingressavam na seita "Jesus, a verdade que marca" eram forçados ao trabalho escravo em fazendas e eram convidados pelos líderes do grupo a doar bens. Para convencer as vítimas a entregar os patrimônios, os suspeitos diziam que "tudo seria de todos".

Os investigadores estimam que o valor dos bens recebidos em doação chegue a cerca de R$ 100 milhões. Parte do patrimônio foi convertida em fazendas, casas e veículos de luxo. A operação "De Volta para Canaã 1" é resultado dos trabalhos que tiveram início em 2011 e que resultaram em uma ação conjunta da PF, Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho.

Na ocasião, foi descoberto um esquema de exploração do trabalho humano e lavagem de dinheiro praticado por líderes religiosos. Os suspeitos podem responder por redução de pessoas à condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas, estelionato, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Com informações de Kadu Lopes, da TV Altersa de Varginha