Seita “cristã” é autuada por trabalho escravo, lavagem de dinheiro, estelionato e tráfico de pessoas


A polícia desencadeou recentemente a “Operação Canaã – A Colheita Final”, para investigar uma empresa que possui ligação direta com uma igreja, considerada seita cristã, por manter centenas de pessoas em regime de trabalho escravo, além de utilizar essa atividade como fachada para lavagem de dinheiro e estelionato.

A autuação ocorreu no último dia 15, feita pelo Ministério do Trabalho, contra a empresa Nova Visão Assessoria e Consultoria, ligada a Igreja Cristã Traduzindo o Verbo. Em nove fazendas mantidas pela entidade foram encontrados 565 trabalhadores em condição ilegal, sendo que 438 não tinham registro em Carteira de Trabalho e 32 eram adolescentes.

As fazendas são para produção de hortifrútis e café, supostamente, para manutenção dos próprios integrantes da seita, segundo informações de alguns membros. Essa compreensão dificultou a retirada dos trabalhadores, já que muitos foram “doutrinados” para acreditar no ideal de “coletivismo” da comunidade, algo questionado pelo Ministério do Trabalho.

Além das fazendas, também foram encontrados restaurantes, um posto de combustível e casas comunitárias, todos vinculados ao nome da empresa, ligada a igreja. O Ministério do Trabalho informou que os trabalhadores não tinham remuneração alguma. Eles trabalhavam em troca de comida e um lugar para morar.

No total, 13 pessoas foram presas preventivamente, enquanto outras 10 estão foragidas, todas ligadas à administração da empresa e da seita. Por determinação do Ministério do Trabalho, todos os 565 trabalhadores deverão ter a carteira assinada e também receber os retroativos equivalentes ao período trabalhado de forma ilegal.

A empresa também terá que providenciar o retorno dos trabalhadores aos lugares de origem, além de prestar constas com a justiça acerca das acusações de estelionato e lavagem de dinheiro. Não há notícias sobre o posicionamento dos líderes do grupo sobre o caso.