Seguros: sinistros com suspeita de fraude somam quase R$ 2 bilhões em 2010


Os sinistros de todos os segmentos de seguros – exceto de Saúde, Previdência Complementar Aberta e Capitalização – somaram R$ 20,9 bilhões no ano passado. Somente os sinistros com suspeita de fraude chegaram a cerca de R$ 1,9 bilhão, correspondendo a 9,1% do total.

Levantamento da CNseg (Confedereção Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização), divulgado nesta terça-feira (9), aponta que as fraudes detectadas somaram cerca de R$ 370 milhões e as comprovadas, R$ 290 milhões, representando 1,8% e 1,4% do valor total de sinistros.

"As fraudes impactam diretamente no bolso dos segurados. Ou seja, a fraude contamina o preço do seguro e atuar na redução das fraudes é agir em favor do segurado", afirmou o superintendente-geral da Central de Serviços e Proteção ao Seguro da CNseg, Julio Avellar.

Prejuízo

Pesquisa realizada pelo Ibope, a pedido da CNSeg, e também divulgada nesta terça mostra que, para 61% dos entrevistados, todos os clientes são prejudicados pelas fraudes do seguro. Já 20% acham que a seguradora é a maior prejudicada e 14% acreditam que os dois saiam no prejuízo. Apenas 1% apontou que nenhum deles é afetado.

Além disso, 43% dos participantes da pesquisa acreditam que os prejuídos causados pelas fraudes são repassados totalmente para os clientes. Já 39% acham que os custos são absorvidos em parte pela seguradora e repasados em parte para os clientes. Apenas 6% disseram que os danos são absorvidos pelas seguradoras.

Ainda de acordo com a pesquisa, 52% das pessoas disseram que denunciariam fraude contra o seguro e 36% afirmaram que não o fariam. Somente 1% disse que já denunciou uma fraude.

Dentre os tipos mais comuns de fraude aplicados contra os seguros, estão emprestar a carteira do convênio médico para outra pessoa usar, obter mais de um recibo para um mesmo procedimento médico, omitir fatos na vistoria do veículo, utilizar "notas frias" para reclamar prejuízos, declarar perdas inexistentes, falsificar dados da ocorrência do sinistro envolvendo roubo, incêndio ou colisão.

Metodologia

A pesquisa qualitativa foi aplicada pelo Ibope entre 22 e 29 de novembro de 2010, no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Goiânia e Porto Alegre. Já o levantamento quantitativo foi feito de 7 a 23 de dezembro do ano passado, com 2.004 entrevistas.