Remédios desviados de hospitais

Ação deflagrada pela Polícia Federal desarticulou quadrilha que atuava em unidades públicas de Pernambuco e da Paraíba, com ajuda de servidores


A Polícia Federal desarticulou, na manhã de ontem, um esquema milionário de desvio de medicamentos de hospitais públicos e venda de remédios falsos que ocorria há pelo menos quatro anos, em Pernambuco e na Paraíba. A quadrilha contava com a participação de funcionários e prestadores de serviço dos Hospitais da Restauração, Agamenon Magalhães, Oswaldo Cruz, Procape, Otávio de Freitas, Getúlio Vargas, Clínicas e da Farmácia do Estado de Pernambuco. Eram eles que desviavam os produtos das unidades hospitalares e abasteciam o esquema. Parte dos envolvidos também negociava medicamentos falsificados contrabandeados do Paraguai.

A Operação Desvio mobilizou 300 policiais federais de seis Estados do Nordeste. Dividido em 74 equipes, o efetivo deu início ao cumprimento dos mandados de busca e apreensão e prisão por volta das 4h30 de ontem. Dois dos alvos estavam com remédios de venda controlada em casa e foram autuados em flagrante por tráfico de entorpecentes.

“Tivemos os primeiros informes sobre esse tipo de crime em 2006. Passamos a investigar o esquema e chegamos a realizar dois flagrantes no fim de 2009. A quadrilha funcionava da seguinte forma: os funcionários e prestadores de serviço dos hospitais públicos roubavam os medicamentos e entregavam aos atravessadores. Esses, por sua vez, repassavam os remédios para os distribuidores que vendiam aos consumidores finais”, explicou o superintendente da Polícia Federal em Pernambuco, Paulo de Tarso.

Trinta fiscais da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) e 25 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) participaram da operação. segundo Jaime Brito, gerente da Apevisa, o grande número de medicamentos falsificados apreendidos é preocupante.

“Encontramos milhares de caixas de remédios contra impotência ou de tarja preta que podem trazer sérios riscos à saúde dos usuários por serem falsificados e consumidos sem prescrição médica. Além disso, fizemos apreensões de medicamentos que precisam de conservação em baixa temperatura que estavam em geladeiras comuns. Outra coisa que pode prejudicar o consumidor”, avaliou Brito.

Entre os medicamentos apreendidos, vários que custam mais de R$ 10 mil, como o antibiótico Ambisome (R$ 14 mil) e o antineoplásico Herceptin (R$ 12 mil).

Os integrantes do esquema vão responder pelos crimes de peculato, formação de quadrilha, receptação qualificada, falsidade ideológica, uso de documento falso, tráfico e associação para o tráfico de entorpecentes.

A Polícia federal não divulgou o nome dos dez presos. A Justiça Federal determinou que o grupo deve permanecer 15 dias sob custódia. O prazo pode ser renovado por mais 15 dias. Os demais detidos foram ouvidos na sede da PF e liberados.

Jornal do Commercio – Recife/PE