Quatro pessoas são presas na 2ª fase da operação Rosa dos Ventos por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção

Imprimir MPF e PF investigam crimes relacionados à sonegação bilionária de impostos na comercialização de combustíveis no interior de SP


O Ministério Público Federal deflagrou, em conjunto com a Polícia Federal, a segunda fase da Operação Rosa dos Ventos, de está desvendando um esquema bilionário de sonegação de impostos por meio da comercialização de combustíveis no interior paulista. Quatro mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão foram cumpridos nesta quarta-feira (15), em Campinas e em São Paulo. Entre os investigados estão empresários, um advogado e um auditor da Receita Federal. Um dos alvos está foragido.

Esta etapa da operação investiga crimes de lavagem de dinheiro dos envolvidos e atos de corrupção do auditor, que receberia propina para deixar de fiscalizar empresas e passar informações sigilosas ao grupo criminoso. Os mandados, expedidos pela Justiça Federal a pedido do MPF, se fundamentam em indícios colhidos na primeira fase da Rosa dos Ventos, deflagrada há um ano, quando as autoridades cumpriram dezenas de ordens de prisão e de busca e apreensão em três estados e no Distrito Federal.

Estima-se que o grupo criminoso sob investigação tenha gerado prejuízos superiores a R$ 5 bilhões aos cofres públicos. O esquema consistia no uso de distribuidoras fantasmas para a comercialização de etanol, o que viabilizava a sonegação de 33% dos tributos devidos após a compra do combustível das usinas e a revenda aos postos. Essas empresas tinham vida útil de aproximadamente quatro anos, tempo médio até que a Receita Federal descobrisse a atuação ilegal. Quando entravam na mira das autoridades fazendárias, as firmas eram desconstituídas e davam lugar a outras, também de “fachada”.

O MPF já ofereceu seis denúncias contra 15 alvos da primeira fase, por fatos que correspondem a R$ 1,5 bilhão sonegados e à lavagem de R$ 64 milhões. A Operação Rosa dos Ventos baseia-se em investigações conduzidas desde 2016. Os tributos que deixaram de ser pagos incluem o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/ Pasep) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).