Prisão temporária de investigados da 59ª fase da Lava Jato é convertida para preventiva

Atual fase mira o pagamento de propinas pelo Grupo Estre em contratos com a Transpetro e foi deflagrada no dia 31 de janeiro; três investigados foram presos.


A juíza Gabriela Hardt converteu as prisões temporárias do ex-presidente de empresas do Grupo Estre Wilson Quintella Filho, do advogado e ex-executivo do grupo Mauro de Morais e do operador financeiro Antonio Kanji Hoshikawa, que foram alvo da 59ª fase da Lava Jato, para preventivas.

Quintella e Mauro de Moraes estão detidos na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, desde o dia 31 de janeiro, quando foi deflagrada a operação. Já Hoshikawa, se entregou um dia depois à PF.

Por determinação da juíza, a prisão preventiva poderá ser substituída por medidas cautelares mediante pagamento de fiança de R$ 6,8 milhões para Quintella e de R$ 1,5 milhão para Mauro de Morais e Antonio Kanji.

A atual fase mira o pagamento de propinas pelo Grupo Estre em contratos com a Transpetro para tratamento de resíduos, manutenção de dutos e construção de um estaleiro para produzir embarcações para transporte de etanol no Rio Tietê. A propina era de 3% do valor dos contratos, conforme o Ministério Público Federal (MPF).

O esquema movimentou cerca de R$ 192 milhões, segundo depoimento de delação de Sérgio Machado, que é ex-presidente da Transpetro. “Ele revelou no âmbito do seu acordo de delação que angariou propinas para si e para integrantes da cúpula do PMDB entre 2003 e 2014. Segundo ele falou, a quantia por ele repassada a agentes políticos totalizou R$ 100 milhões”, disse o procurador da República Roberson Pozzobon.

Além disso, segundo o procurador, Sérgio Machado relatou que foram coletados pra ele mesmo cerca de R$ 2 milhões ao ano de propinas no Brasil, e também recebeu R$ 70 milhões no exterior.

Ao todo, são investigados 36 contratos que totalizaram, entre 2008 e 2017, mais de R$ 682 milhões, conforme a Lava Jato.