Presidente de banco do Vaticano é interrogado pela Justiça da Itália sobre lavagem


ROMA – O presidente do banco do Vaticano, o Instituto para as Obras de Religião (IOR), Ettore Gotti Tedeschi, foi ouvido nesta quinta-feira em uma investigação da Justiça italiana sobre lavagem de dinheiro. Ele nega eventuais omissões cometidas durante operações da instituição e diz que tudo não passou de um "equívoco".

– Nós que pedimos para sermos interrogados, tudo foi feito segundo as regras – garantiu Gotti Tedeschi ao deixar a Procuradoria de Roma. – Houve um equívoco que tentamos esclarecer aos magistrados.

Os interrogatórios foram conduzidos no escritório do procurador adjunto Nello Rossi, titular das investigações junto ao procurador substituto Stefano Rocco Fava. Tedeschi foi auxiliado pelo advogado Vincenzo Scordamaglia. Também compareceu à audiência o diretor-geral do IOR, Paolo Cipriani.

O caso foi iniciado a partir de uma sinalização da Unidade de Informação Financeira (UIF) – ligada ao Banco da Itália (banco central). Depois de detectada a suposta irregularidade, foi determinado o sequestro de 23 milhões de euros depositados em uma conta do IOR no banco Credito Artigiano, e que seriam transferidos à sede do J.P. Morgan em Frankfurt (20 milhões) e ao italiano Banco del Fucino (três milhões).

Após a notícia do sequestro dos valores e da investigação sobre as duas máximas autoridades do IOR, a Santa Sé saiu em defesa dos dois profissionais. Na semana passada, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, garantiu em uma carta ao jornal britânico Financial Times que "o problema com o qual nos deparamos foi causado por um mal-entendido, que agora está sendo examinado, entre o IOR e o banco que recebeu a ordem de transferência".

No último domingo, o Papa Bento XVI recebeu Gotti Tedeschi, mas não foi informado se os dois discutiram a situação do banco do Vaticano.

Ettore Gotti Tedeschi diz que um "erro de procedimento" está sendo usado para atacar a Santa Sé. O presidente do banco afirma que, nos últimos 10 meses, o IOR "adotou todos os trâmites internos para estar em harmonia com os padrões de transparência internacional". A instituição já havia sido envolvida em um escândalo nos anos 1980.

– Um erro de procedimento está sendo usado como desculpa para atacar o Instituto, seu presidente e o Vaticano em geral – disse ao jornal "Il Sole 24 Ore".