Polícia Federal investiga venda de documento de FGTS em Rio Largo


A Polícia Federal de Alagoas (PF) investiga a venda ilegal de documentos que dão direito ao saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), no município de Rio Largo, um dos 19 atingidos pela tragédia. O recurso foi liberado pelo governo federal para as vítimas que perderam as casas nas enxurradas, de junho passado. 
 
As informações preliminares dão conta de que ‘facilitadores’, provavelmente ligados à prefeitura, de acordo com a Polícia Federal, seriam responsáveis pelas vendas dos documentos e, inclusive estaria oferecendo a verba para a compra de casas que deveriam ser destinados aos desabrigados em troca de votos. 
 
O delegado federal Antônio Delfino confirmou a denúncia e contou em primeira mão à reportagem do Primeira Edição que pelo menos sete pessoas envolvidas no esquema foram levadas para a sede da PF para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido. Os supostos envolvidos foram abordados numa fila da Caixa Econômica Federal, daquela cidade, nesta segunda-feira (21). 
 
Cauteloso para não atrapalhar as investigações, que transcorrem em sigilo, Delfino não quis fornecer maiores detalhes da operação. Delfino contou que a PF foi contactada pela Caixa Econômica Federal do município de Rio Largo. "Recebemos um ofício da Caixa de Rio Largo comunicando que estava havendo muitos saques do FGTS na agência e fomos até lá para averiguar. Na Caixa tinham sete pessoas que tentavam sacar o FGTS só no momento em que tivemos lá. Todos foram trazidos para Maceió e foram ouvidos", contou.
 
"Temos a denúncia também de que alguém ligado a prefeitura estaria facilitando a fraude. Alguém estaria cobrando essas pessoas, que não são desabrigadas, para apresentar um comprovante de residência", colocou. O comprovante de residência de casas situadas em locais destruídas pelas enxurradas é o ‘passaporte’ para a liberação do FGTS.
 
Segundo informações de uma pessoa do município, que preferiu não se identificar temendo represálias, os supostos envolvidos na fraude estariam beneficiando pessoas que não foram atingidas pelas enxurradas com o documento que permite o saque do FGTS. Eles estão trocando o documento que dá direito a casa por voto. E não é só para as pessoas que têm direito as casas não. Eles estão dando as pessoas de interesse deles, acusou. 
 

Ainda de acordo com informações do delegado, um inquérito foi instaurado e as investigações vão continuar. Não paramos por aqui muitas outras pessoas ainda serão ouvidas, adiantou.