Polícia Federal faz operações contra fraudes no INSS no Rio

Quadrilhas usavam documentos falsos para conseguir benefício e criavam até casamentos entre pessoas já mortas


A quadrilha desarticulada pela Polícia Federal nesta quinta-feira, após a deflagração de duas operações, mantinha uma extensa coleção de fotos 3×4 de pessoas que poderiam se passar por falsos segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com a PF, que descobriu o esquema, as fotografias de homens, mulheres, idosos e crianças eram usadas para falsificar carteiras de trabalho, identidades e certidões, que posteriormente eram usados no pedido de concessão de pensões.

Em uma das operações denominada ‘Anjo’ pela PF, os fraudadores usavam crianças fictícias, ou seja, falsificavam certidões de nascimento para conseguir a concessões de pensões por morte de pessoas já falecidas. Em alguns casos, a quadrilha também forjava a morte de beneficiários fictícios para fraudar a Previdência e até criavam casamentos entre pessoas já falecidas.

— A quadrilha criava pessoas, conseguia certidões de nascimento e de óbito falsas para liberar pensões junto ao INSS. Na maioria dos casos eles faziam três recolhimentos pelo teto para que a criança, por exemplo, recebesse a pensão pelo teto previdenciário (o máximo pago mensalmente pelo INSS) — explica Paulo Teles, delegado da PF responsável por uma das investigações.

A Polícia Federal identificou que o líder da quadrilha é um ex-servidor do INSS, demitido em 2003 por Fraudes, e que hoje atuava como advogado no Rio. Por estar sobre sigilo a PF não divulgou detalhes sobre o ex-servidor. Porém, uma fonte ligada à PF informou ao GLOBO que o servidor se chama Renato Santana, e atuou no INSS desde 1980.

De acordo com o delegado da PF, há indícios de que o advogado atue pelo menos desde 2005 como chefe da quadrilha, o que pode indicar centenas de outros benefícios concedidos de forma indevida.

Segundo Marcelo Ávila, coordenador-geral de inteligência previdenciária, a desarticulação da quadrilha vai proporcionar economia de R$ 93 milhões nos próximos anos.

— Foram encontrados cerca de 140 benefícios fraudados, que geraram prejuízo de R$ 32 milhões para os cofres do INSS. Com as investigações a economia será grande, e vale destacar que as investigaçoes continuam para identificar novos benefícios com fraude — destaca.

Até agora foram presos seis envolvidos no esquema, entre o Rio e municípios da Região Metropolitana. De acordo com Sergio Busato, delegado da PF que também faz parte das investigações, as prisões e desarticulação da quadrilha foi possível após intensa investigação que começou em 2012, quando a Previdência repassou os indícios de fraudes para a corporação.

— São duas operações diferentes, mas descobrimos que um dos intermediário que atuava em um tipo de fraude mantinha relações com o ex-servidor, demitido em 2003 por fraude. Além disso, escutas telefônicas foram feitas para chegarmos aos envolvidos — detalha.

Na Operação Sepulcro Caiado, a Polícia Federal destaca que pelo menos dois servidores do INSS estariam envolvidos nas fraudes.