Polícia Federal deflagra Operação Hades no Piauí e Maranhão


Policiais da Delegacia da Polícia Federal em Caxias, Maranhão, com o apoio da Superintendência da Polícia Federal do Piauí e de servidores da Previdência Social (integrantes da Força-Tarefa Previdenciária), deflagraram na manhã deste sábado (21) a Operação Hades, que visa o combate a fraudes cometidas contra a Previdência Social. Serão cumpridos seis mandados de prisão e 10 de busca e apreensão.

Em entrevista ao Portal da Clube, a Superintendência da Polícia Federal do Piauí informou que a decisão foi concedida pela Justiça Federal da cidade de Caxias.

Dois mandados, dos 10 de busca e apreensão, serão cumpridos na cidade de Teresina, um mandado de busca e apreensão e de prisão na cidade de Trizidela do Vale, seis mandados de busca e apreensão e cinco de prisão na cidade de Codó.

A investigação teve início em maio de 2010 e foi baseada em ocorrência policial noticiando fraudes realizadas através de documentos de pessoas mortas, a fim de obter benefícios de natureza previdenciária.

O cometimento de tais ilícitos contava com o apoio de servidores públicos federais lotados na Agência da Previdência Social em Codó. A participação dos servidores consistia na facilitação da concessão de benefícios previdenciários, bem como renovação de senhas bancárias vencidas e a obtenção de empréstimos consignados em nome destes beneficiários já falecidos. Dentre os documentos utilizados para o cometimento da fraude, destacam-se CTPS, Registro Geral (RG), Certidão de Nascimento e Certidão de Óbito, dentre outros.

A Operação Hades em uma referência ao modo como atuava a quadrilha, a qual se valia de pessoas mortas para auferirem, em vida, rendimentos ilícitos. Na mitologia grega hades era o deus do reino dos mortos, responsável por governar o mundo subterrâneo e como tal as almas após a morte.

Segundo cálculos preliminares, até o momento as fraudes já causaram aos cofres públicos um prejuízo de cerca de R$ 1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil reais), nos últimos dois anos, apenas em pagamentos retrativos de 80 benefícios, e que podem chegar a valores mais elevados no curso da investigação. Valores estes que permitiram aos líderes da quadrilha ostentar um patrimônio incompatível com a renda formal declarada.

Os integrantes da quadrilha responderão pelos delitos de estelionato previdenciário, falsificação de documentos públicos, formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, apropriação de proventos de idoso e retenção de cartão magnético de conta bancária relativa a benefícios de idosos.

Participam da operação 39 policiais federais, além de 5 servidores da Força-Tarefa Previdenciária.