Polícia faz operação contra esquema que lavou R$ 20 milhões em 3 anos para facção criminosa


A Polícia Civil do RJ iniciou nesta quinta-feira (15) a Operação Link, contra o braço financeiro do Comando Vermelho, a maior facção do tráfico do estado. Em três anos, o esquema movimentou R$ 20 milhões.

Agentes saíram para cumprir 8 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Especializada de Crime Organizado do Tribunal de Justiça do RJ nas cidades do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Paraná e do Mato Grosso do Sul. Até as 11h30, cinco suspeitos tinham sido presos.

Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada do Rio. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 12 milhões nas contas de suspeitos e o sequestro de bens.

“A intenção da Polícia Civil é descapitalizar a maior facção criminosa do Rio de Janeiro”, diz o delegado Leonardo Borges, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e a Lavagem de Dinheiro, que coordena as equipes que estão nas ruas.

Um dos principais alvos da ação é um comerciante de São Paulo que movimentou mais de R$ 6 milhões em depósitos fracionados que vieram de várias localidades de SP e do RJ, segundo a polícia.

Segundo as investigações, o dinheiro decorrente da venda de drogas era depositado em espécie em agências bancárias — muitas dentro das próprias favelas dominadas pelo Comando Vermelho — em “contas de passagem”.

Os depósitos variavam de R$ 2 mil a até R$ 80 mil e eram feitos por moradores de comunidades de Japeri, São Gonçalo, Cabo Frio e Volta Redonda, obrigados a participar do esquema.

Em seguida, o dinheiro era repassado para suspeitos de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

A polícia informou ainda que a renda dos envolvidos é incompatível com a quantia que eles movimentavam.

“A gente percebeu em comunidades dominadas por essa facção criminosa a entrada desses recursos de pessoas que não tinham perfil econômico para justificar essas quantias, pessoas que até receberam auxílio emergencial do governo federal, ou seja, não tinham esse perfil”, disse o delegado.

O dinheiro, segundo Borges, era lavado por meio de empresas de fachada.

“Existem metodologias de lavagem de dinheiro com o uso de empresas de fachada, com o uso de laranjas, empresas que não têm estrutura para justificar o volume de dinheiro. Elas são abertas e fechadas em curtos períodos de tempo. Isso tudo está sendo constatado no nosso trabalho de investigação”.

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Fonte: G1