Polícia faz devassa em oito prefeituras gaúchas por suspeita de fraude de R$ 30 milhões

Ao todo, são cumpridos 43 mandados de busca e apreensão em empresas e órgãos públicos


Deflagrada nesta manhã, a Operação Cartola, da Polícia Civil, desarticulou uma rede suspeita de praticar crimes contra a administração pública em oito municípios gaúchos. No esquema, teriam sido desviados dos cofres públicos, desde 2008, cerca de R$ 30 milhões.

Os principais alvos são empresas de publicidade que financiariam campanhas eleitorais em troca de favorecimento em licitações. Elas receberiam por serviços superfaturados ou não executados e pagariam propina a funcionários municipais.

Ao todo, são cumpridos 43 mandados de busca e apreensão em empresas e órgãos públicos. Estão sob investigação contratos feitos com as prefeituras de Alvorada, Canela, Tramandaí, Parobé, São Sebastião do Caí, Osório, Viamão e Cachoeirinha.

Também são cumpridos mandados em Canoas e Porto Alegre, onde são investigadas as empresas MAC Engenharia e PPG Comunicação. Em 2007, a MAC foi um dos principais alvos da Operação Solidária, que apontou indícios de fraude em obras públicas em municípios do Estado.

Desde o início da manhã, as oito prefeituras foram fechadas e os funcionários estão proibidos de acessar seus locais de trabalho. Os policiais procuram, nas sedes das administrações públicas, documentos relacionados a contratos de publicidade.

A investigação começou a partir de um depoimento dado ao procurador Geraldo Costa da Camino, do Ministério Público de Contas do Estado. Desde então, pelo menos 16 mandados de prisão foram negados pelo Poder Judiciário.

Os suspeitos são investigados por formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica, fraude em licitações e sonegação fiscal.

Participam da ação 500 policiais e 160 viaturas. A Operação foi batizada de "Cartola" em homenagem ao samba Alvorada, criado pelo compositor Angenor de Oliveira, o Cartola.