Polícia encontra laboratório clandestino em Porto Alegre e investiga lavagem de dinheiro por meio de bitcoins

Suspeita é de que facção criminosa esteja minerando a moeda virtual em casebre no Morro da Embratel


Após prender um homem que era investigado por tráfico de drogas na tarde desta terça-feira (23), no Morro da Embratel, em Porto Alegre, equipes do Departamento Estadual do Narcotráfico (Denarc) encontraram um laboratório para mineração de bitcoinsem um casebre. A suspeita dos policiais é de que uma facção criminosa que atua na região esteja utilizando a moeda virtualpara lavagem de dinheiro, algo considerado fora do comum até então no Rio Grande do Sul. 

No local, que fica nas imediações da Avenida Oscar Pereira, na zona sul da Capital, foram encontrados hardwares e softwares sofisticados, com valor estimado em mais de R$ 250 mil. As 25 máquinas estavam ligadas e, segundo relatos obtidos pela polícia, funcionavam 24 horas por dia. Os equipamentos estavam em uma sala pequena, com pouca ventilação. 

Enquanto os policiais estavam no local, um homem se apresentou como responsável pelos equipamentos. Disse que alugou o espaço e estava minerando bitcoins com investimento – o que não é irregular. Negou qualquer envolvimento com o crime organizado. Ele foi autuado em flagrante por furto, já que o local tinha ligação de energia elétrica clandestina, o chamado “gato”. 

Chamou a atenção dos policiais o fato de o laboratório operar em área conflagrada pelo tráfico de drogas. A suspeita é de que o homem estaria fazendo espécie de segurança no local. Com ele, foi encontrado pistola .40 com numeração raspada, além de uma motocicleta clonada. 

– É um local bem escondido, clandestino. Vamos aprofundar as investigações. Tudo indica que pode ser uma atividade de mineração de bitcoin. Podem fazer a troca e o pagamento para distribuidores de drogas. Também há possibilidade de estarem usando o dinheiro do tráfico para comprar bitcoins  – disse o delegado Adriano Nonnenmacher.

A chamada mineração de bitcoin é o trabalho de diversos computadores conectados a uma rede em que são registradas as transações com a moeda virtual. Os equipamentos realizam centenas de cálculos matemáticos, em um processo que valida as transações entre os usuários da moeda. As máquinas recebem um pequeno pagamento em fração de bitcoin. Atualmente, o valor de um bitcoin é de r$ 21 mil. 

As máquinas foram recolhidas para a perícia. Também há suspeita de que elas tenham  sido contrabandeadas, já que os policiais identificaram que muitas tinham procedência da China.