Polícia Civil devolve Lotus e 21 outros veículos apreendidos em ação contra roubos e lavagem de dinheiro

Por falta de espaço e para evitar deterioração, bens periciados estão sendo entregues para proprietários que ficarão como "fiéis depositários"


Após ação da Polícia Civil realizada há duas semanas contra roubos, clonagem e desmanche de carros de luxo em nove cidades gaúchas, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) está repassando 22 dos 49 veículos apreendidos na chamada Operação Barão. Entre eles, estão uma Lotus avaliada em pelo menos R$ 300 mil e dois iates.

O delegado Gustavo Rocha, do Deic, diz que todos os automóveis e as embarcações foram periciadas e os responsáveis, sem antecedentes criminais, apresentaram documentos sobre a aquisição dos bens. Por falta de espaço e para evitar deterioração, os veículos foram repassados porque não são roubados ou clonados, apenas teriam sido adquiridos anteriormente como lavagem de dinheiro. Os atuais proprietários teriam comprado de prováveis laranjas usados pela organização criminosa. No entanto, a Lotus e os demais bens devolvidos não poderão ser transferidos ou vendidos durante a investigação. Os proprietários ficarão como “fiéis depositários”. Apesar desta restrição registrada no Detran, eles poderão usar normalmente, inclusive realizar as manutenções necessárias. José Antônio Bertaco e seu filho, responsáveis pelo carro de luxo inglês, já estão com o automóvel desde a noite passada.

Rocha destaca que a investigação da Operação Barão continua, tanto na parte de lavagem de dinheiro quanto na do roubo de carros. A polícia conseguiu mais prazo para a conclusão do inquérito. Além da análise de documentos, vários depoimentos estão ocorrendo nos últimos dias. Ao todo, 33 pessoas estão presas e um suspeito segue foragido. Este investigado seria responsável por um dos nove galpões usados pelos bandidos para desmanche de carros no Rio Grande do Sul. Os criminosos vendiam peças e carros roubados por meio de lojas virtuais a 16 Estados. Também lavavam dinheiro e aplicavam golpes em instituições e no comércio. Grupo lucrava até R$ 800 mil por mês.