PF realiza busca e apreensão em banco

Em mais um desdobramento das investigações oriundas da Operação Ararath, documentos foram apreendidos em um banco na capital mato-grossense


A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na sede do BicBanco em Cuiabá em mais um novo desdobramento da Operação Ararath, que investiga a existência de um amplo esquema de lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional em Mato Grosso.

Quatro agentes da PF cumpriram a missão de apreender aproximadamente dez folhas de papel consideradas relevantes à investigação. Havia outro mandado para ser cumprido em São Paulo (SP). Porém, de acordo com a PF, foi desnecessário diante do sucesso da busca na capital de Mato Grosso.

O BicBanco está no centro das investigações pela suspeita de liberar empréstimo aos credores do governo do Estado. A maior parte das empresas beneficiadas atuava no ramo da construção e devolviam parte do dinheiro para abastecer caixa 2 de campanha eleitoral, pagar propina às autoridades, comprar sentença judicial e até uma vaga de conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado). O gerente do BicBanco, Luiz Carlos Cuzziol, chegou a ser preso preventivamente no transcorrer da Operação Ararath.

A última fase da "Operação Ararath" foi realizada no dia 1º de abril quando houve a prisão preventiva do ex-secretário de Estado, Éder Moraes. Ele ainda segue detido pela suspeita de tentar transferir o patrimônio adquirido ilicitamente para filhos e "laranjas" após ter aproximadamente R$ 100 milhões bloqueados pela Justiça.

O ex-secretário é apontado nas investigações como operador de um banco clandestino que envolvia pagamento ilegal de precatórios para empreiteiras que se comprometiam a devolver parte do dinheiro para abastecimento do sistema.

Esta é a segunda vez em que Eder Moraes é preso pela PF. A primeira foi no ano passado por decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), José Dias Toffoli, que após 83 dias mandou liberá-lo da prisão preventiva.

A primeira ordem de prisão que o levou a ser encaminhado para o Complexo da Papuda em Brasília foi respaldada no argumento de que Eder Moraes poderia usufruir de sua influência política para obstruir o andamento dos processos criminais.

Após 113 dias, os agentes da PF voltam a atuar na investigação recolhendo documentos estratégicos para desvendar um esquema de lavagem de dinheiro através de empréstimos simulados por empreiteiras que prestaram serviços ao governo de Mato Grosso nos últimos anos. Ao todo, já foram oferecidas sete denúncias criminais à Justiça Federal pelo Ministério Público Federal (MPF) contra envolvidos de participar de esquema de lavagem de dinheiro, sendo que o ex-secretário o maior denunciado. Aliás, nos próximos dias, devem ser dadas as primeiras sentenças aos denunciados.

Há ainda outros 11 inquéritos sigilosos sob a responsabilidade do Ministério Público Federal. A investigação começou em novembro de 2013 e só avançou graças a delação premiada do empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o "Júnior Mendonça", que aceitou revelar detalhes do esquema de corrupção em troca de redução ou até extinção da pena. A suspeita é que todo o esquema tenha movimentado ilegalmente até R$ 1 bilhão de reais.