PF prende em MG 11 suspeitos de integrar quadrilha de tráfico internacional de pessoas


A Polícia Federal em Minas Gerais prendeu nesta quinta-feira (18) 11 pessoas, a maioria em Governador Valadares (MG), acusadas de integrar quadrilha especializada em tráfico internacional de pessoas.
 
A "Operação Joio”, que contou com a participação de 160 agentes e adidos policiais dos EUA, ainda cumpriu 38 mandados de busca e apreensão, sendo 32 em Valadares. Ao todo, foram expedidos 12 mandados de prisão preventiva, mas um ainda continua em aberto.
 
A corporação ainda cumpriu 6 mandados de busca e apreensão nas cidades mineiras de Cuparaque, Conselheiro Pena, Ipatinga, Sobrália, todas na região do Rio Doce. Também foi efetuada uma prisão em Vitória (ES).
 
Segundo o delegado Cristiano Campidelli, chefe da unidade da Polícia Federal em Governador Valadares, a operação visou a captura de suspeitos denominados “cônsules”, cuja participação é o agenciamentos das viagens, além de falsificadores de documentos.
 
De acordo com ele, as prisões representaram “um golpe no tráfico de seres humanos da região” por conta de os presos “serem as principais pessoas que orquestravam a quadrilha”.  
 
“Foram apreendidos farto material como documentos falsificados, passaportes falsos com visto do consulado americano, certidões de nascimento e carteiras de identidade. Além disso, apreendemos grande número de maquinário para a confecção desse material e até uma máquina que, ao aquecer o documento, dava a ele a impressão de envelhecido e usado”, contou o policial.
 
Sequestro
 
Segundo as investigações, a quadrilha agenciava a viagem do interessado, ao preço de US$ 14 mil, para levá-lo ao exterior, prioritariamente, aos EUA. Uma vez naquele país, sequestravam o emigrante ilegal e passavam a exigir resgate das famílias.
 
De acordo com a PF, o esquema veio à tona em maio deste ano com a identificação de um dos membros da quadrilha, que fazia a remessa ilegal de brasileiros ao exterior. Em julho, foi feita a prisão de um homem na cidade de Serra/ES que, segundo a corporação, chefiava a quadrilha. Ele está detido na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG). O roteiro clandestino incluía ingresso na Guatemala. De lá, coiotes do bando guiavam os clientes na travessia do México até cruzarem a fronteira com os Estados Unidos. De acordo com a PF, membros da quadrilha sequestravam o “cliente” no estado americano do Texas e passavam a exigir dinheiro de familiares sob pena de matar ou mutilar os sequestrados.
 
Segundo o delegado, todos estão sendo interrogados na sede da Policia Federal, em Valadares. Em seguida, eles serão levados para a cadeia pública da cidade, onde ficarão à disposição da Justiça. Os detidos na operação serão indiciados pelos crimes de formação de quadrilha ou bando, com pena de reclusão de um a três anos, e de falsificação de documento público, com pena de prisão de dois a seis anos e multa.
 
Alguns dos indiciados, por terem sido flagrados na prática de diversos crimes de falsificação, poderão ter as penas desses crimes aplicadas de forma cumulativa, o que lhes poderá gerar uma condenação a penas que podem chegar a até 30 anos de reclusão, informou a PF.