PF investiga desvio de R$ 100 milhões em verbas de publicidade no Banrisul

Parecer do TCE-RS sobre a prestação de contas de 2009 do governo Yeda Crusius voltou a apontar irregularidades nos gastos com publicidade, que atingiram a cifra de R$ 200,863 mi


Na esteira da Operação Mercari, desencadeada em setembro deste ano, a Polícia Federal investiga o que foi feito dos cerca de R$ 100 milhões orçados pelo Banrisul em publicidade para o governo Yeda Crusuis (PSDB-RS) em 2009. O desvio ocorreria por superfaturamento da produção de ações de marketing por agências com subcontratação de prestadores de serviços a preços menores do que aqueles cobrados pela estatal.
 
Em julho, um parecer do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS) sobre a prestação de contas de 2009 do governo Yeda Crusius voltou a apontar irregularidades nos gastos com publicidade, que atingiram a cifra de R$ 200,863 milhões. Segundo fonte do TCE-RS, auditores entraram na sede da DCS durante a operação, tiveram acesso a documentos e estão ajudando a PF na verificação das irregularidades. De acordo com o procurador do Ministério Público de Contas do RS, Geraldo Da Camino, um dos itens investigados pelo TCE-RS é onde – e como – o montante de quase R$ 100 milhões destinando à publicidade do banco foi utilizado.
 
O MPC-RS – órgão vinculado ao TCE – considerou irregular a suplementação das despesas com publicidade das empresas estatais em 107%. Isso significa que o dinheiro destinado para outras áreas foi usado para aumentar o orçamento da comunicação. Conforme a Constituição Estadual, é preciso que o governo tenha a autorização da Assembleia Legislativa para executar esse tipo de ação, o que não aconteceu.
 
Entre os pontos criticados pelo órgão, está o constante aumento de participação de empresas estatais no total da verba. Elas foram responsáveis pelos gastos de R$ 137,520 milhões, ou 68,46% do total. A participação do governo (incluindo-se os Poderes Legislativo, Judiciário e o Ministério Público), Autarquias e Fundações, foi de R$ 63,343 milhões ou 31,54%. Em 2004, respondia por 51,76% do total contra os 48,24% das estatais.
 
Uma das modalidades mais polêmicas dos gastos das estatais em publicidade é o patrocínio a jornalistas locais através de anúncios em sites e blogs para "melhorar a imagem do governo", afirmou um ex-membro do primeiro escalão do governo. Jornalistas e consultores de imagem operariam diretamente do gabinete da governadora para decidir o destino das verbas para agências de publicidade como a DCS – responsável pela conta do Banrisul.
 
Um dos diretores da empresa, Armando D’Elia Neto, foi preso durante a operação. Conforme o delegado Thiago Delabary afirmou ao Estadão.com.br, Antonio D’Alessandro – um dos sócios da DCS – disse em depoimento à PF que desconhecia a existência do dinheiro apreendido na agência.
 
Os valores, mais de R$ 2,8 milhões (em diferentes moedas), estavam na sala do diretor financeiro da DCS, Armando D’Elia Neto, preso em flagrante. Liberado quatro dias depois, está afastado das funções na agência.
 
Segundo a investigação da PF, os referidos desvios de recursos do Banrisul estariam ocorrendo através do setor das Agências de Publicidade do banco, com o auxílio de "laranjas", que formam uma rede de empresas sob o comando do grupo preso.
 
A reportagem entrou em contato com a assessoria do Banrisul e da DCS, mas não obteve retorno até o momento.