PF e Receita fazem operação contra lavagem de dinheiro de tráfico


A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal realizam operação conjunta nesta quinta-feira com o objetivo de combater organização criminosa que atuava na lavagem de capitais oriundos do tráfico internacional de drogas na cidade de Guajará-Mirim, em Rondônia.

As investigações apontam que grandes empresas comerciais-exportadoras de Rondônia estariam mantendo atividades secundárias ilegais de captação e administração de capitais, bem como intermédio, remessa e conversão de câmbio, direta ou indiretamente, de pessoas físicas envolvidas com o tráfico de drogas e outros crimes.

A partir de cruzamentos realizados pela Receita, foi constatado ainda que as mesmas empresas estariam se utilizando irregularmente dos benefícios tributários destinados exclusivamente à Área de Livre Comércio de Guajará-Mirim, retirando mercadorias da área beneficiada sem que os tributos devidos fossem recolhidos. Essas mercadorias abasteciam filiais das próprias empresas em diversas cidades de Rondônia ou eram revendidas diretamente para outros Estados.

Projeções da Receita estimam que cerca de R$ 2 bilhões em mercadorias foram retirados irregularmente da área de livre comércio entre os anos de 2009 a 2016 pelas empresas investigadas, com prejuízo, devido ao não recolhimento de tributos federais, de aproximadamente R$ 300 milhões.

As investigações confirmaram, ainda, indícios do envolvimento das mesmas empresas e pessoas físicas que utilizaram as exportações de mercadorias lícitas para a Bolívia, para transferência de recursos financeiros de traficantes do Brasil para o pagamento de fornecedores internacionais de drogas do país vizinho.

Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de associação ao tráfico de drogas, evasão de divisas, lavagem de capitais e crimes contra a fazenda pública.

Foram expedidos 72 mandados de busca e apreensão pela Justiça Federal em Guajará-Mirim, que estão sendo cumpridos em Rondônia, Pará e Mato Grosso, além do bloqueio judicial de valores em nome dos investigados, de cerca de R$ 70 milhões.

O nome da operação é uma alusão à antiga moeda grega e à necessidade de seguir o rastro do dinheiro durante as investigações dessa natureza, analisando-se a dinâmica financeira estabelecida entre os investigados para se determinar o modus operandi e identificar os reais beneficiários do crime investigado.