PF deflagra operação para prender casal acusado de lavagem de dinheiro, no ES

Operação Masqué cumpre quatro mandados de busca e apreensão no Espírito Santo e São Paulo. Eles são investigados por fraudar operações de câmbio


A Polícia Federal no Espírito Santo, junto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal, deflagrou, na manhã desta terça-feira (20) uma operação para investigar crime de lavagem de dinheiro praticado por casal de empresários capixabas, sócios de empresas que atuavam no comércio exterior.

A Operação Masqué cumpre quatro mandados de busca e apreensão em Vila Velha, no Espírito Santo e na capital de São Paulo, em endereços comerciais e residenciais ligados aos investigados.

A operação é um desdobramento de investigação que identificou a prática de evasão de divisas entre os anos de 2009 e 2010, com um total aproximado de R$ 403.990.000 (valor convertido de U$ 100 milhões), em 1178 contratos de câmbio fraudulentos.

De acordo com a investigação, com a funcionários de corretora de câmbio, o casal então investigado promovia a saída de divisas para o exterior repetindo as mesmas Declarações de Importação em vários contratos diferentes.

Ou seja, usando uma mesma Declaração de Importação, os investigados simulavam diversas importações usando a documentação de apenas uma operação regular.

Esses pagamentos serviam então, para mandar dinheiro de forma ilegal para o exterior.

Operação

Com o objetivo de investigar a ocultação e lavagem do dinheiro obtido pelas atividades ilegais dos investigados, a operação identificou 76 imóveis e duas embarcações registradas em nomes de terceiros, ou seja “laranjas”, usados para ocultar um patrimônio que supera os R$ 40 milhões. Todos esses bens foram sequestrados por determinação judicial.

Segundo dados da Receita Federal, os investigados têm débito na dívida ativa de R$ 894 milhões.

Além do casal de empresários, também é investigado um advogado que atua em São Paulo, contratado para oferecer proteção contra a atuação de órgãos como a Receita Federal e a Polícia Federal. O advogado já tinha sido preso em 2017, em uma operação do Gaeco de São Paulo, por crimes análogos aos investigados.

A Justiça Federal determinou ainda o sequestro de imóveis, embarcações e valores, além da indisponibilidade de automóveis dos investigados.

Os investigados responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro. A pena é de prisão de três a 10 anos e multa.