PF deflagra operação no Pará contra fraudes de quase R$ 1 bi na floresta

Agentes cumprem 27 mandados na Operac¸a~o Anhanga´ Arara contra organização formada por uma família acusada de desmatamentos


A Poli´cia Federal deflagrou, na manha~ desta quarta-feira, 4, a Operac¸a~o Anhanga´ Arara contra fraudes de quase R$ 1 bilhão. A operac¸a~o tem por objetivo a desarticulac¸a~o de associac¸a~o criminosa que coordenava a extrac¸a~o ilegalmente de madeiras nobres dentro da TI Cachoeira Seca.

Em nota, a PF informou que são cumpridos 27 mandados nas cidades de Uruara´/PA, Placas/PA, Ruro´polis/PA, Santare´m/PA, Castelo dos Sonhos- Altamira/PA, Porto Unia~o/SC, Curitiba/PR e Unia~o da Vito´ria/PR.

Foram expedidos pela Justic¸a Federal de Altamira/PA 10 ordens de conduc¸a~o coercitiva, 11 mandados de sequestro de bens e valores, 6 mandados de busca e apreensa~o em empresas/casas pertencentes aos investigados e a suspensa~o das atividades empresariais das empresas envolvidas no esquema criminoso. Participam da operac¸a~o aproximadamente 40 policiais federais.

Segundo a PF, a investigac¸a~o comec¸ou apo´s relato´rio da Operac¸a~o Cachoeira Seca, realizada pelo IBAMA, que apontou que a TI Cachoeira Seca estava sendo alvo de explorac¸a~o ilegal de madeira por madeireiras clandestinas. Durante as averiguac¸o~es, foi identificado um grupo empresarial composto por familiares, cujo o patriarca era o responsa´vel pela coordenac¸a~o da extrac¸a~o ilegal de madeira em a´reas protegidas e por escoar a madeira para as empresas do grupo familiar.

Para burlar a fiscalizac¸a~o e dar teor legal a` madeira, o grupo fraudava cre´ditos florestais por meio de inserc¸a~o de dados falsos no SISFLORA, ale´m de utilizar Planos de Manejo Florestal de “fachada”. Apo´s isso, a madeira era transmitida entre empresas do grupo ate´ ser exportada por meio de portos de Bele´m e do Sul do Brasil, como os constantes na cidade de Itajai´ e Paranagua´. O destino da madeira abrange os continentes Americano (EUA, Panama´, Argentina), Europa (Franc¸a, Reino Unido, Alemanha) e A´sia (Emirados A´rabes Unidos, Coreia do Sul).

Laudo pericial da Poli´cia Federal estima o dano ambiental em um valor aproximado de R$ 574.912.424,78, referente exclusivamente a`s atividades de extrac¸a~o ilegal de madeira do interior da Terra Indi´gena Cachoeira Seca e R$ 322.145.395,69 referentes aos produtos florestais extrai´dos ou destrui´dos quando da abertura das a´reas classificadas como “corte raso”, totalizando um valor de R$ 897.057.820,47.

Em mais de um ano de investigac¸o~es, verificou-se que a associac¸a~o criminosa e´ composta por um grupo empresarial familiar que, mediante a pra´tica de infrac¸o~es penais capituladas no art. 50-A da Lei 9.605/98, arts. 288 e 299 do Co´digo Penal, coordenava a extrac¸a~o seletiva de madeira nobre –IPE^ – dentro da TI Cachoeira Seca, e mediante fraude em cre´ditos florestais por meio de inserc¸a~o de dados falsos no SISFLORA, legalizava a madeira extrai´da ilegalmente, com o objetivo final de abastecer o mercado exterior.

O nome Anhanga´ Arara significa protec¸a~o a` morada dos i´ndios, afetada pelas ac¸o~es dos investigados. Anhanga´ e´ o espi´rito protetor da natureza, figura pertencente ao folclore indi´gena, enquanto Arara sa~o os povos indi´genas que habitam a Terra Indi´gena Cachoeira Seca, encontrando nela uma nova morada apo´s quase serem extintos no Se´c.XX.