PF deflagra 4ª fase da Operação Descarte, que apura uso de empresas fantasmas em esquemas de lavagem de dinheiro

Investigadores cumprem 26 mandados de busca e apreensão em cidades de SP, Rio e Minas


A Polícia Federal (PF) em São Paulo deflagrou na manhã desta quinta-feira (11) a 4ª fase da Operação Descarte, que investiga uma rede empresas fantasmas utilizadas em esquemas de lavagem de dinheiro e pagamento de propina. Os investigadores cumprem 26 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Taubaté, Mogi das Cruzes , Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Nova Lima (MG).

A PF pediu a prisão de suspeitos de envolvimento no esquema, mas a 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo negou.

Os alvos da nova operação, intitulada “E o Vento Levou”, são empresas, escritórios e as residências de pessoas citadas durante a investigação. A PF tem indícios de que o esquema movimentou cerca de R$ 40 milhões em propina num projeto de energia elétrica que teve a participação de empresas privadas e de uma estatal.

De acordo com a PF, o objetivo da operação é apurar o desvio de dinheiro da empresa Cemig Geração e Transmissão por meio do aporte de R$ 850 milhões na empresa Renova Energia SA., com posterior repasse de parte deste recurso por meio do superfaturamento de um contrato. Em seguida, o dinheiro foi convertido em espécie e distribuído a diversas pessoas.

A investigação apura a participação de executivos e acionistas da Andrade Gutierrez e da Cemig, além dos operadores financeiros e outras empresas usadas para escoar o dinheiro desviado.

Pedidos de prisão

A operação “E o Vento Levou” pediu a prisão temporária de Oswaldo Borges da Costa, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). O pedido foi negado pela 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

Costa Filho é suspeito de ter participado de um esquema de fraude na construção da Cidade Administrativa, sede do governo de Minas Gerais, em 2007, durante mandato do então governador Aécio Neves (PSDB).

De acordo com a delação de dois executivos da Odebrecht, Aécio teria organizado, no início de seu segundo mandato, um esquema para fraudar licitações por meio da organização de um cartel de empreiteiras. As obras foram realizadas pela Codemig.

Num segundo inquérito, Costa Filho é investigado, junto com o agora deputado Aécio Neves, o senador Antonio Anastasia (PSDB) e com o marqueteiro Paulo Vasconcelos do Rosário Neto, por vantagens indevidas a pretexto da campanha eleitoral de Anastasia ao governo mineiro, em 2009 e 2010, a pedido de Aécio.

A PF também pediu a prisão de Flávio Jacques Carneiro, apontado pelo empresário Joesley Batista como intermediário de propina para Aécio Neves, e dos demais investigados. A Justiça, porém, negou todas as solicitações.

Em nota, a Cemig informou que colabora com as autoridades e tem interesse na evolução das investigações. A Andrade Gutierrez disse que está buscando informações sobre a Operação, no entanto, afirmou que colabora com a justiça para esclarecer os ocorridos.

A Casa dos Ventos afirmou que não houve mandados de busca e apreensão contra a empresa e seus executivos e por iniciativa própria está contribuindo com as investigações. A Renova SA informou que irá cooperar com todas as informações.

A defesa de Oswaldo Borges da Costa aguarda ter acesso aos autos para se posicionar. O empresário Flávio Carneiro disse que desconhece o teor da investigação e afirmou que não participou de qualquer desvio de verbas da Cemig ou de qualquer outra empresa.

A assessoria do deputado federal Aécio Neves (PSDB) informou que não tem conhecimento sobre o assunto, mas reforça que o deputado não é investigado na Operação.

Força-tarefa

A Operação Descarte é uma força-tarefa composta por policiais federais, auditores fiscais da Receita Federal e por um procurador da República do Ministério Público Federal em São Paulo.

A investigação surgiu a partir da delação premiada do doleiro Alberto Youssef, personagem central da Operação Lava Jato.

A 1ª fase, deflagrada em março do ano passado, mirava um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro comandado por uma concessionária que atua no serviço de limpeza pública da cidade de São Paulo.

Documentos apreendidos na ocasião levaram os investigadores a descobrir um novo esquema. O fundador de uma das maiores operadoras de viagens do país confessou, em acordo de delação premiada, que utilizou a rede de empresas fantasmas para pagar propina a conselheiros do Carf, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.