PF cumpre mandados em MT, SP, GO e DF contra crimes financeiros

Na 4ª fase da 'Ararath', 24 mandados de busca e apreensão são cumpridos. Polícia informou ter obtido elementos que reforçam indícios de crimes.


A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (19) a quarta fase da Operação 'Ararath', que teve início no ano passado para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro por meio de 'factorings', empresas negociadoras de crédito. De acordo com a PF, são cumpridos 24 mandados de busca e apreensão, sendo que 17 deles em Mato Grosso, especificamente em Cuiabá e em São José do Rio Claro, a 325 km da capital. Os demais são cumpridos em Goiás, São Paulo e Brasília.

Um dos mandados cumpridos em Cuiabá foi na residência do ex-secretário de estado, Éder Moraes. Ele disse ao G1 que há aproximadamente cinco meses vendeu um posto de combustíveis, localizado na Avenida Miguel Sutil, na capital, a um empresário investigado por suspeita de envolvimento no esquema criminoso. Porém, alega que não teve nada de ilegal. "Ele se interessou por um posto de combustível de minha propriedade e eu vendi", afirmou. Éder disse que não verificou quais documentos foram levados da casa, mas disse que não tem nada a temer.

A primeira fase foi realizada em novembro do ano passado. Na ocasião, foram apreendidos documentos durante o cumprimento de onze mandados de busca e apreensão. Sobre os materiais colhidos nessa fase e nas demais feitas posteriormente, a PF informou ter obtido elementos que reforçam indícios de crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, indicando ainda a participação de outras pessoas no suposto esquema.

Conforme a PF, o grupo tinha uma 'vultosa' movimentação de dinheiro por meio de recursos de terceiros e empréstimos. Foi descoberto ainda que esse fluxo de valores vai além do uso de factorings, mas de outras empresas de fachada.

O esquema começou a ser investigado em 2011 e durante os trabalhos foi identificado que o grupo usava as factorings como fachada para a concessão de empréstimos a pessoas físicas e jurídicas do estado, por meio de uma empresa com sede em Várzea Grande, que encerrou as atividades no ano passado.

Entretanto, as empresas não tinham autorização do Banco Central para a concessão de empréstimos, bem como para exigir garantias e exercer qualquer atividade de institutição financeira. O dinheiro era movimentado nas contas das factorings e de outras empresas dos integrantes do esquema, entre elas de uma rede de postos de combustíveis de Cuiabá. Em seis anos, foram movimentados mais de R$ 500 milhões, conforme a polícia.

Durante uma das fases da operação, também foram apreendidos documentos na residência do juiz da Primeira Vara Federal de Mato Grosso, Julier Sebastião da Silva. No entanto, recentemente, a Justiça determinou a devolução dos objetos apreendidos na casa do magistrado.