PF apura uso de imobiliária, açougue e igreja para lavagem de dinheiro do tráfico

Doze pessoas foram presas durante operação contra célula do PCC em SP


Imobiliária, açougue, lojas de carro e até uma igreja foram utilizados para lavar o dinheiro amealhado do tráfico de drogas por uma célula do PCC, desarticulada em operação da Polícia Federal nesta quarta-feira. Segundo a polícia, o grupo recebia cocaína da cidade de São Paulo e distribuía a droga entre os pontos de venda, que negociavam o entorpecente no varejo.

Na ação, batizada de Operação Frater, os policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão em 19 endereços domiciliares do estado. Ao todo os agentes prenderam temporariamente 12 pessoas e as levaram para interrogatório.

Sem citar nomes dos acusados, o delegado federal Fabrizio Galli, um dos responsáveis pela ação, afirmou que dentre os presos da célula do PCC havia dois irmãos considerados líderes. Além deles havia corretores de imóveis que trabalhavam para a organização, donos de açougue e um dirigente de uma igreja evangélica, que se apresentava como pastor. Foi expedido um mandado de prisão contra este último.

— Eles (os bandidos) tinham açougue, imobiliária, loja de carro e igreja que trabalhavam no apoio, na parte da lavagem do dinheiro — afirmou o delegado.

Segundo a polícia, a igreja, que é da região de Mogi das Cruzes, justificava que os recursos que recebia do tráfico se referia a doações de fiéis.

— Ela só abre três vezes por semana agora, mas foi muito atuante durante o ano de 2017 — afirmou Galli.

A investigação começou em janeiro de 2017. Desde então, a PF apreendeu 890 quilos de cocaína, 11 fuzis, duas pistolas, grande quantidade de munição e três bloqueadores de telefone celular.

Os investigados serão indiciados pelos crimes de tráfico de drogas — cuja pena varia de cinco a 15 anos, além de multa — e associação para o tráfico de drogas — punida com prisão de três a dez anos e sanção pecuniária. Alguns deles vão responder por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, que tem reclusão prevista de três a seis anos e multa.