Para STF, senador e banqueiro tiveram ações de ‘organização mafiosa’


Os ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) revelaram perplexidade diante dos fatos. Para os magistrados, há "o componente diabólico" digno de "organização mafiosa" na tentativa do senador de impedir as investigações da Operação Lava Jato.

O ministro relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki, afirmou que "é um comportamento digno de integrante de máfia", em referência ao relatório do Ministério Público Federal sobre o caso. 

"Criminosos não passarão", afirmou a ministra Carmen Lúcia durante a sessão extraordinária do colegiado. "Houve um momento em que maioria dos brasileiros acreditou num mote em que a esperança tinha vencido o medo. No mensalão descobrimos que o cinismo tinha vencido a esperança. Agora parece que o escárnio venceu o cinismo". O ministro Celso de Mello reforçou a fala da ministra. "Ninguém está acima da lei, nem mesmo os mais poderosos agentes políticos governamentais".

Para Gilmar Mendes, a conduta de Delcídio configura "uma situação grave e também rara". Ele também declarou que não recebeu nenhum apelo para interceder pela liberdade de Cerveró. "Nós temos contatos inevitáveis com parlamentares. Esta é uma marca da Brasília, e conversamos inclusive sobre o quadro politico. Mas não recebi nem de parte do presidente do Congresso, Renan Calheiros, nem de parte do vice­-presidente, Michel Temer, qualquer referência ou apelo", afirmou o ministro. Para o STF, senador e banqueiro tiveram ações de 'organização mafiosa'.

O ministro Dias Toffoli afirmou que os ministros do STF estão sujeitos a "pessoas que vendem ilusões" em nome de influência política. "Mensageiros que tentam dizer que conversei com fulano, com ciclano, que garantem vou resolver sua situação. Não é a primeira vez que isso ocorre. O STF não vai aceitar nenhum tipo de intrusão nas investigações que estão em curso e é isso que ficou bem claro na tomada dessa decisão unânime e colegiada."

Prisão

A 2ª Turma do Supremo referendou, por unanimidade, nesta manhã, as prisões de Delcídio e do banqueiro André Esteves.
Durante a sessão, Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no STF, informou ao colegiado que o senador prometeu interceder junto a Corte para libertar o ex-­diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró.

O ministro relatou ainda uma ‘atuação concreta e intensa’ de Delcídio e André Esteves para evitar a delação de Cerveró. Segundo as investigações da Procuradoria­-Geral da República, o filho do ex-­diretor informou que recebeu R$ 50 mil de Delcídio para que o pai não o citasse em delação premiada, com promessa de receber novos pagamentos.

Nestor Cerveró está preso desde janeiro deste ano. Ele já foi condenado na Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo Teori, a investigação mostra que Delcídio não medirá esforços para “embaraçar a Lava Jato”. André Esteves teria, ainda, uma cópia da delação premiada de Nestor Cerveró. No depoimento, o ex-­diretor narra crime de corrupção por Delcídio na compra da Refinaria de Pasadena, nos EUA.