Países da UE propõem nova autoridade para evitar esquemas de lavagem de dinheiro

“Criminosos e terroristas estão a aproveitar as falhas, [a debilitação] da confiança no nosso sistema financeiro e a nossa missão de proteger as nossas economias e cidadãos”, afirmou o ministro das finanças francês, Bruno Le Maire, ao ‘Financial Times’


A União Europeia estará a explorar a possibilidade da criação de uma autoridade central para acabar com as lavagens de dinheiro, depois dos escândalos que evidenciaram as fraquezas da Europa no que toca à lavagem de dinheiro nos bancos localizados no continente europeu, anuncia o ‘Financial Times’ esta quinta-feira, 31 de outubro.

Assim, é esperado que os ministros das Finanças do bloco europeu obriguem, de forma formal, a Comissão Europeia a realizar recomendações sobre um novo órgão “independente” de execução e com “poderes diretos”. A primeira missão deste órgão deverá ser a verificação da conformidade das instituições financeiras, de acordo com as regras da União Europeia, sobre o due diligence dos clientes e outras salvaguardas.

Esta proposta iria marca uma resposta significativa da Europa após os escândalos de lavagem de dinheiro nos últimos dois anos, que revelaram diversas maneiras de como os criminosos exploram o sistema bancário nos países pertencentes à União Europeia.

Em 2018, as autoridades norte-americanas descobriram lavagem de dinheiro no ‘defunto’ banco ABLV, sendo que grande parte do dinheiro estaria ligado à Rússia. Outro contratempo detetado foi a transação de um total de 200 mil milhões de euros através do Danske Bank da Estónia. O grupo ING foi multado em 775 milhões de euros por falhas de conformidade, enquanto o Deutsch Bank se viu envolvido num esquema de transferências ilegais de fundos criminosos russos.

“Criminosos e terroristas estão a aproveitar as falhas, [a debilitação] da confiança no nosso sistema financeiro e a nossa missão de proteger as nossas economias e cidadãos”, afirmou o ministro das finanças francês, Bruno Le Maire, ao ‘Financial Times’, sublinhando que é preciso “harmonizar as regras contra a lavagem de dinheiro em toda a União Europeia e introduzir uma supervisão europeia mais forte”.

França e Holanda são os países que mais pretende endurecer as regras da União Europeia contra a lavagem de dinheiro, sendo que a melhor solução apoiada pelos dois países é a criação de uma nova autoridade, partindo da estaca zero. No entanto, como esta primeira opção poderia demorar mais que o previsto, os responsáveis das finanças dos dois países apontam que a solução mais rápida, por enquanto, é dotar a Autoridade Bancária Europeia como “a opção alternativa e mais rápida”.