Os avanços da Lava-Jato em 2017


Focada no combate à corrupção, a operação Lava Jato, promovida pela Polícia Federal, teve grandes avanços ao longo do ano. Além de indiciar dezenas de políticos e desmascarar alguns dos mais complexos esquemas de lavagem de dinheiro, a ação contou com polêmicas que repercutiram no mundo inteiro.

O primeiro ponto a ser destacado no ano da Lava Jato é a morte do relator da operação no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Teori Zavascki. Aos 68 anos, o magistrado faleceu após a queda de seu avião em Paraty, litoral sul do Rio de Janeiro em 19 de janeiro.

“O ministro Teori era um homem de bem e era orgulho para todos os brasileiros. Nós estamos decretando luto oficial por um período de três dias, uma modesta homenagem a quem tanto serviu à classe jurídica, aos tribunais e ao povo brasileiro”, declarou na época o presidente Michel Temer.

O avião de pequeno porte com capacidade para oito pessoas decolou do Campo de Marte, em São Paulo, rumo ao litoral. A aeronave despencou a apenas 2 km da cabeceira da pista de pouso em Paraty. Os quatro ocupantes morreram na hora.

Responsável por mais de 50 inquéritos e ações penais da Lava Jato, Teori morreu no momento mais importante de seu trabalho como relator da operação: a homologação da delação premiada de 77 executivos da construtora Odebrecht. A aprovação dos depoimentos foi feita pela presidente do Supremo Tribunal Federal, a ministra Carmen Lúcia.

Já no dia 2 de fevereiro, o ministro Edson Fachin foi escolhido através de um sorteio eletrônico como o substituto de Zavascki na relatoria da Lava Jato. No mesmo dia o juiz Sérgio Moro condenou o marqueteiro João Santana, sua mulher e outros quatro réus por corrupção ativa e lavagem de dinheiro, crimes investigados na 23ª fase da operação.

Ainda em fevereiro foi a vez da Lava Jato indiciar o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, o empresário Eike Batista e mais sete pessoas. Foi a segunda vez que Cabral e sua esposa se tornaram réus em processos investigados pela PF. O político foi denunciado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Já Eike também foi acusado por lavagem de dinheiro e corrupção ativa.

O mês contou ainda com um dos depoimentos mais aguardados da história da política brasileira. Na sede da Polícia Federal de Brasília em 14 de fevereiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, réu em uma ação penal que suspeita de obstrução dos trabalhos da Lava Jato, negou todas as acusações.

Durante seu depoimento, Lula afirmou estar sendo vítima de um “massacre” por seu nome ter sido relacionado às investigações contra corrupção nos últimos três anos. Segundo a acusação, o ex-presidente estaria envolvido em um esquema para convencer o ex-presidente da Petrobras Nestor Cerveró a não fechar acordos de delação premiada.

“Há mais ou menos três anos, doutor, eu tenho sido vítima de uma… eu diria quase que de um massacre. Ou seja, eu acho que todos aqui têm dimensão que um cidadão que foi um presidente da República […] de repente é pego de surpresa por manchetes de jornais e televisão todo dia, todo santo dia, no café da manhã, no almoço e na janta alguém insinuando ‘tal empresário vai prestar uma delação e vai acusar o Lula, tal deputado vai prestar uma delação e vai acusar o Lula. Agora vou prender fulano, agora vão pegar o Lula, prenderam o Bumlai, vai delatar o Lula, prenderam o Delcídio, vai delatar o Lula, prenderam o Papa, vão delatar o Lula’. Estou esperando pacientemente”, afirmou o ex-presidente ao juiz Ricardo Leite.