Operação Óbolo: Leia a decisão da juíza Gabriela Hardt que deflagrou a fase 70 da Lava Jato

Juiza substituta da 13ª Vara Federal de Curitiba autorizou ação que mirou contratos de afretamento de R$ 6 bi da Petrobrás


A delação do ex-diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, serviu de base para as
investigações que culminaram na 70ª fase da Lava Jato, a Óbolo, que mira contratos de afretamento de R$ 6 bi
da Petrobrás. A ação coloca a operação de volta às origens, remontando a investigações abertas em 2014 e foi
autorizada pela juíza federal substitua Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

A Óbolo aponta que Paulo Roberto Costa teria recebido propinas para transmitir informações privilegiadas a
Wanderley Saraiva Gandra, sócio da Gandra Brokerage, que não tinha experiência no setor de afrentamento de
embarcações à estatal. O objetivo era favorecer a empresa Maersk a obter vantagem competitiva para ofertar à
Petrobrás a maior quantidade de navios possível.

Em troca, Paulo Roberto Costa recebia cerca de R$ 30 mil mensais. Segundo o material coletado com o delator, o
total das propinas pode ter chegado a US$ 3,4 milhões.

De acordo com o Ministério Público, os contratos tinham como praxe o pagamento de 1,25% de comissão, mas os
pagamentos chegaram a 2,5% a 3% de comissão, o que seria ‘economicamente injustificável’.

Segundo o Ministério Público Federal, os alvos das investigações são contratos de afretamentos firmados com o
armador Maersk e contratos intermediados envolvendo os shipbrokers Tide Maritime e Ferchem. As empresas e
seus representantes são alvos de buscas nesta manhã, além de ex-funcionários da Petrobrás.

Ao todo, foram cumpridos onze mandados de busca e apreensão e apreendidos documentos e mídias que serão
levados para a Polícia Federal em Curitiba para análise e perícia.

A Procuradoria indicou ainda que as buscas pretendem investigar o fornecimento de informações privilegiadas
que teriam concedido vantagens competitivas a empresas, tendo como contrapartida o pagamento de propina a
funcionários da Petrobrás.

Os contratos investigados estão relacionados aos navios que a Petrobrás precisa ter à disposição navios para o
transporte de petróleo e derivados. Para isso, o departamento logístico da estatal realiza o afretamento de navios
por meio de negociações feitas por escritórios do Brasil e no exterior. Nos contratos de afretamento comumente
são partes os armadores, que são os responsáveis pelas embarcações, e os shipbrokers, empresas que atuam
como intermediárias (corretores) nas negociações com a Petrobras.