Operação ‘Nêmesis’ deflagrada em Patos de Minas prende 46 pessoas em MG e SP

Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em cidades do Triângulo, Alto Paranaíba e estado de São Paulo. Entre investigados estão agentes públicos. Drogas, armas e dinheiro foram apreendidos


Foram presas 40 pessoas por meio de mandado e seis em flagrante pela Operação “Nêmesis”, nesta terça-feira (24). Também foram apreendidos 33 veículos, oito armas de fogo, 63 kg de drogas, R$ 265 mil em espécie, 133 aparelhos de celular e 50 computadores. O balanço da ação foi apresentado nesta tarde pela 10ª Região de Polícia Militar (RMP).

A Operação foi deflagrada na manhã desta terça pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Patos de Minas com apoio da PM em cidades do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e estado de São Paulo. O objetivo da ação é investigar braços de uma organização criminosa suspeita de homicídio, falsidade ideológica, corrupção e roubos.

Agentes públicos também estão envolvidos. Foram expedidos pela Justiça de Patos de Minas 42 mandados de prisão e 71 de busca e apreensão.

O promotor Paulo César Freitas falou com a reportagem do MG1. Segundo ele, este é o primeiro passo para desarticular uma quadrilha complexa. Ele ainda informou que a ação desencadeada será desmembrada.

“Nós descobrimos que o que moveu o homicida seria uma vingança do chefe contra um agente público. A partir daí, começamos a entender a dinâmica desta organização complexa, com vários núcleos, cargas, drogas, armas, envolvimento com agentes públicos”, afirmou Freitas.

Segundo o promotor, os suspeitos são pessoas que demonstram indícios de riqueza incompatíveis com os cargos ou profissões que ocupam. “Durante a investigação, fomos esbarrando no envolvimento de outros criminosos e até mesmo de servidores públicos”, disse.

O promotor explicou, ainda, que os presos foram para Patos de Minas, inclusive os de São Paulo, e vão ser encaminhados para o presídio Sebastião o Satiro. “Mesmo após estas prisões, os trabalhos continuam”, acrescentou.

Nêmesis

A Operação “Nêmesis” foi desencadeada pelo Gaeco em Patos de Minas, com apoio das unidades de Uberlândia, Uberaba e Belo Horizonte e da Polícia Militar (PM).

Em Minas Gerais, a ação ocorreu em Patos de Minas, Patrocínio, Presidente Olegário, Serra do Salitre, Araxá, Uberaba, Uberlândia, Monte Carmelo e Sete Lagoas (região Central). Já no estado de São Paulo, os alvos estavam na capital, em Mairiporã e em São José do Rio Preto.

Segundo o coronel Waldimir Ferreira, comandante da 10ª RPM, foram detectadas quatro organizações criminosas que atuavam na região, com extensão em Belo Horizonte e região de São Paulo, cometendo diversos crimes.

Entre os envolvidos estão policiais civis, sendo que três foram presos. Ferreira confirmou ainda que, na casa de um deles, durante mandado de busca e apreensão, mais de R$ 160 mil em dinheiro ilícito foram apreendidos.

Investigação e crimes

Segundo a 10ª RPM, a investigação começou em março deste ano. Os alvos também são envolvidos em crimes como concussão, prevaricação, furto e roubo de veículos, de cargas, de fazendas, de estabelecimentos comerciais, receptação e cárcere privado.

A quadrilha também é investigada por inserção de dados falsos em sistemas de informações dos bancos de dados da administração pública, adulteração de sinal identificador de veículo, lavagem de capitais, falsificação e comercialização de documentos públicos.

Foi informado ainda que o trabalho contou com medidas que contribuíram para a elucidação de um homicídio, o que levou à prisão do mandante e os executores pelos agentes do Gaeco e guarnições da PM.

Além disso, as investigações iniciais contribuíram para identificar esquema de enriquecimento ilícito, inclusive de agentes públicos, por meio de vantagem indevida, que se uniram para garantir a perpetuação das ações criminosas diversas citadas.

Nêmesis

Na operação, foram desprendidos 270 policiais militares, viaturas caracterizadas e descaracterizadas, duas aeronaves, drones, cães, agentes do Gaeco de Minas Gerais e São Paulo, promotores de Justiça, analistas do Ministério Público e serventuários do Poder Judiciário.

O Gaeco de Passos, no Sul de Minas, São Paulo, São José do Rio Preto (SP) e a PM de São Paulo também participaram das ações.