Operação mira organização especializada em lavagem de dinheiro e prende 3 pessoas, em Foz do Iguaçu

Ação é da Polícia Federal e da Receita Federal e foi deflagrada nesta quarta-feira (15)


Uma operação da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal, deflagrada na manhã desta quarta-feira (15), mira um organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e que tem Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, como “sede”. Três pessoas foram presas.

Havia quatro mandados de prisão preventiva – que é por tempo indeterminado. Mas, o quarto alvo não foi localizado, segundo a PF. A previsão da Polícia Federal é de que essa pessoa se apresente na sede da corporação.

Dos 18 mandados de busca e apreensão, nove foram cumpridos até as 12h. Havia também cinco ordens de instalação de tornozeleira eletrônica, e a PF informou que elas foram executadas.

Todos os mandados judiciais são cumpridos em Foz do Iguaçu. Por volta do meio-dia, a operação seguia em andamento.

Outros crimes são investigados e atribuídos à organização, como evasão de divisas, gestão fraudulenta e contabilidade paralela.

‘Freeway’

A operação foi batizada de “Freeway” pelo fato de a organização criminosa usar constantemente de um sistema informatizado que leva esse nome. De acordo com a PF, o sistema fazia o controle das operações ilegais de câmbio e de evasão de divisas.

A “Freeway” é um desdobramento da Operação Confraria Cataratas, realizada em 2017. A partir dessa etapa anterior, foi apurado que três casas de câmbio de Foz do Iguaçu compravam e vendiam moedas estrangeiras em desacordo com as diretrizes do Banco Central, conforme a PF.

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O material apreendido na Confraria Cataratas foi analisado e, segundo a PF, apontou que os responsáveis por uma das três casas de câmbios investigadas operavam irregularmente no mercado de câmbio e faziam parte de organização criminosa que praticava delitos contra o sistema financeiro.

De acordo com a PF, entre 2011 e 2017, o grupo criminoso cambiou ilegalmente centenas de milhões de dólares. A maior parte dessa quantia, conforme a PF, foi evadida para o Paraguai, principalmente para empresas que vendem produtos eletrônicos.

Outra parte do montante foi remetida para empresas de turismo sediadas em Foz do Iguaçu e controladas pela organização, segundo a PF.

‘Banco de compensações’

A PF informou que a investigação também revelou que organização criminosa operava como um “banco de compensações”.

O grupo casava o interesse de contrabandistas brasileiros que queriam enviar dinheiro ao Paraguai com a intenção de empresários estabelecidos no país vizinho e que desejavam remeter valores para o Brasil.

De acordo com a PF, foi determinado o sequestro de bens imóveis e de valores que pertencem aos investigados. A estimativa da PF é de que o patrimônio sequestrado seja superior a R$ 40 milhões.