Operação mira lavagem de dinheiro da maior facção do tráfico do RJ


A Polícia Civil do RJ e o Ministério Público do Rio de Janeiro identificaram, depois de cinco anos de investigações, um esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho, a maior facção do tráfico de drogas do RJ.

Essa rede de pessoas físicas e empresas — muitas de fachada — é alvo da Operação Overload 2, deflagrada nesta quinta-feira (17).

Segundo a força-tarefa, em pouco mais de um ano, 10 CPFs e 35 CNPJs movimentaram R$ 200 milhões — com ordens que partiam de dentro de presídios.

Entre os 12 denunciados estão os líderes da organização, Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, e Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, ambos presos na penitenciária federal de Catanduvas.

Além de expedir os mandados, a 1ª Vara Criminal Regional de Madureira também determinou o bloqueio de contas bancárias ligadas ao esquema.

Agentes saíram para cumprir 28 mandados de busca e apreensão — não há mandados de prisão — em 10 cidades de cinco estados. No Rio, os endereços visados eram em Ramos e na Penha.

A lavagem, segundo a polícia, ocorria quando o dinheiro das atividades criminosas era depositado nas contas dessas empresas e “transformado” em salários ou lucro — o que daria uma aparência de legalidade.

“No transcorrer da investigação, foram detectadas inúmeras negociações de vendas de armas e drogas pela organização criminosa, sendo identificadas diversas contas bancárias envolvidas na transação”, afirmou a polícia.

As pessoas jurídicas utilizadas na atividade criminosa ficavam situadas no Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. “Algumas delas nem sequer possuíam sede própria ou funcionários cadastrados”, destaca a polícia.

Além do Rio, agentes cumpriram mandados em Campo Grande (MS), Ponta Porã (MS), Curitiba (PR), Araucária (PR), Guarapuava (PR), Ponta Grossa (PR), São José dos Pinhais (PR), Belo Horizonte (MG) e Mafra (SC).

A Operação Overload 1

Em junho de 2015, mais de 400 policiais participam da primeira fase da operação e prenderam nove pessoas.

Na ocasião, a polícia descobriu que o faturamento mensal da quadrilha somente na Baixada Fluminense ultrapassou mais de R$ 7 milhões.

Ao fim das investigações, a Justiça condenou 61 traficantes da cúpula do Comando Vermelho — entre eles, chefes que agiam de dentro de presídios federais.

Alguns dos condenados são:

  • Marcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado como líder da organização criminosa;
  • Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, tido como dono do tráfico de todas as favelas da Baixada Fluminense e suspeito da morte do jornalista Tim Lopes;
  • Elieser Miranda Joaquim, o Criam, “ajudante de ordens” de Elias Maluco;
  • Edson Silva de Souza, o Orelha, chefe do tráfico do Complexo do Alemão;
  • Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D, do Complexo do Alemão;
  • Elizeu Felício de Souza, o Zeu;
  • Alcindo Luiz Fernandes, o Da Cabrita;
  • Luiz Claudio Machado, o Marreta;
  • Anderson Sant’Anna da Silva, o Gão;
  • Claudio José de Souza Fontarigo, o Claudinho da Mineira;
  • Ricardo Chaves de Castro Lima, o Fu da Mineira.

Todos estão presos, mas, segundo as investigações, continuam dando ordens para a quadrilha.

A Operação Overload 2 é uma parceria da Subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional, 25ª DP (Engenho Novo) e Delegacia de Combate às Drogas, com apoio do Departamento de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público.

“Desarticulamos toda a engenharia financeira da maior facção do RJ que movimentou milhões, fruto do lucro com a venda de drogas”, afirmou o coordenador da operação, o delegado Felipe Curi, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada.

A ação faz parte de diretriz do novo secretário de Polícia Civil, Allan Turnowski para intensificar o combate à lavagem de dinheiro do crime organizado e do tráfico de drogas.

Invasão ao São Carlos

A polícia afirma que o Comando Vermelho articulou a tentativa de invasão contra o Complexo de São Carlos, no fim de agosto, que levou confrontos a diferentes pontos do Rio.

“O fortalecimento do poderio bélico da facção está diretamente vinculado aos altos valores auferidos pelas suas atividades ilícitas, o que tende a aumentar com as recentes decisões judiciais que vedam as ações policiais em comunidades dominadas pelo tráfico”, sustentou a polícia.

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Fonte: G1