Operação João de Barro: MP denuncia 47 por fraudes em Minas


BELO HORIZONTE – A Procuradoria da República em Governador Valadares (MG) denunciou à Justiça 47 acusados de envolvimento com esquema de desvio de verbas destinadas à construção de casas populares. As fraudes, com participação de deputados federais, prefeitos, empresários e servidores municipais e federais, ocorriam em convênios dos ministérios da Saúde, da Integração Nacional e do Planejamento que, diz o Ministério Público Federal, movimentaram mais de R$ 2,7 bilhões.

A denúncia apresentada nesta quarta-feira é um dos desdobramentos da Operação João de Barro , desencadeada pela Polícia Federal em 20 de junho de 2008. Na ocasião, mais de mil agentes executaram 38 mandados de prisão em Valadares, além de 231 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo inclusive gabinetes de deputados.

Foram realizadas investigações no Distrito Federal e em sete estados, envolvendo 119 prefeituras. As fraudes foram constatadas pelo MPF com base em relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) apontando indícios de irregularidades.

A Procuradoria apurou o envolvimento de cinco deputados federais, cujos casos foram enviados ao STF. As investigações envolveram Romênio Pereira, ex-vice-presidente do PT e que à época era secretário de Assuntos Institucionais do partido. É apontada a participação de vários prefeitos. Segundo a Procuradoria, o esquema tinha à frente o deputado João Magalhães (PMDB-MG) e o lobista João Carlos Carvalho. Carvalho não foi encontrado. Magalhães negou envolvimento em irregularidades e afirmou que o caso está esclarecido no Supremo.