Operação desarticula esquema que roubava carros em SP e revendia peças no DF

Força-tarefa envolveu 450 policiais civis em sete cidades do país. Em dois anos, quadrilha participou do desmanche de mais de 2 mil carros, segundo a investigação


Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal, deflagrada nesta segunda-feira (30), desarticulou uma quadrilha que roubava carros em São Paulo e revendia as peças no Distrito Federal. A investigação cumpre 120 mandados de prisão e de busca e apreensão em sete cidades do país:

  • Águas Lindas (GO)
  • Brasília (DF)
  • Campinas (SP)
  • Goiânia (GO)
  • Hortolândia (SP)
  • Indaiatuba (SP)
  • Valinhos (SP)

Até o último balanço, 3 suspeitos tinha sido presos em Goiás, 8 no estado de São Paulo e 11 no DF. As identidades e funções que os detidos desempenhavam no esquema não foram divulgadas pela polícia.

Segundo as investigações, os veículos eram roubados na região de Campinas (SP), depois eram separados em peças e, em seguida, enviados a lojas de Taguatinga – região a 26 Km de Brasília. Para a polícia, o grupo é “uma verdadeira indústria de roubo de carros e desmanches”.

A apuração apontou ainda que, pelo menos, seis caminhões eram usados no transporte das peças. Cada carreta comportava, em média, 10 veículos cortados, de acordo com o delegado André Luís da Costa e Leite, a frente do caso.

“Eles chegavam a percorrer o trajeto DF-GO-SP [1,1 mil km] até três vezes na semana, indicando, portanto, um volume alto de carros roubados que eram inseridos no mercado de autopeças.”

A estimativa da polícia é de que, na última década, a organização criminosa tenha enviado a Brasília pelo menos 2 mil carros roubados.

Os indiciados vão responder por organização criminosa, roubo qualificado, receptação, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e fraude tributária. Se somadas, as penas máximas ultrapassam os 30 anos de prisão.

A investigação

Para fugir da fiscalização rodoviária, os membros do esquema emitiam notas fiscais frias. Os números de identificação do chassi dos veículos também eram raspados, impedindo a identificação das peças transportadas.

Durante a investigação, um dos caminhões usados pela quadrilha foi apreendido pela polícia. Na ocasião, os agentes identificaram, praticamente, um carro completo fruto de desmanche: portas, capô, tampa traseira, teto, faróis e toda a parte de acabamento e mecânica de veículos.

Segundo a polícia, os criminosos chegavam a enviar as baterias dos carros e até mesmo os extintores de incêndio .

Ao chegarem no DF, as peças eram distribuídas em lojas que revendiam os itens e emitiam notas fiscais falsas. “A emissão de notas falsificadas camuflava ainda mais a operação, razão pela qual o esquema conseguiu funcionar por tanto tempo sem ser descoberto”, informou a direção da Policia Civil do DF.

“Fazendo girar uma imensa máquina de lavagem de dinheiro e uma série de fraudes tributárias.”

Lojas irregulares

Durante a apuração do crime, a polícia apontou que, pelo menos, 95% das lojas do DF atuavam fora da legislação vigente (lei n. 12.977/16) – que exige condicionantes para autorização de funcionamento.

As lojas apontadas pela Polícia Civil como parte do esquema foram interditadas nesta segunda-feira (30), e os estoques de peças sem procedência comprovada foram apreendidos.

Além disso, a justiça decretou o bloqueio patrimonial dos empresários investigados e determinou o congelamento de contas bancárias, registro de imóveis e carros. Os presos em outros estados estão sendo trazido para o DF.

Rota da Seda

A operação foi batizada de Rota da Seda – em alusão às diversas rotas comerciais que, na Antiguidade, se originavam na Ásia e faziam chegar aos europeus diversos produtos sem que eles soubessem a procedência.

A força-tarefa é conduzida pela Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), com o apoio da Secretaria de Economia do Distrito Federal. Ao todo, 450 policiais e três aeronaves da corporação participaram das buscas pelo país.