Operação da Polícia Civil desarticula quadrilha que clona cartão de transporte público no RJ

Investigações apontam que fraude gerou prejuízo de mais de R$ 2 milhões. Ao todo, 36 suspeitos foram identificados durante as investigações; 15 estão presos, 7 deles nesta quinta


A Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira (26) sete suspeitos de integrar uma quadrilha que realiza a clonagem de cartões Riocard, usados no transporte público do Rio de Janeiro. Outros oito suspeitos já haviam sido presos em decorrência das investigações sobre o esquema criminoso, cujo prejuízo provocado é estimado em mais de R$ 2 milhões.

De acordo com a polícia, a quadrilha tinha um grande esquema para fabricar os cartões falsos e colocar créditos sem pagar. Depois, usava esses cartões clonados para pagar passagem mais barata e pegar o dinheiro do usuário.

Dois homens presos em flagrante nesta manhã ofereciam passagens mais baratas numa estação da Supervia, segundo a investigação. De acordo com a polícia, eles usavam cartões clonados para liberar a catraca e ficavam com o dinheiro dos passageiros que pagavam R$ 0,50 a menos no valor do bilhete.

Em outra estação, mais dois suspeitos foram presos. Com eles, foram apreendidos vários cartões clonados e dinheiro. Segundo a polícia, os quatro são a ponta de uma quadrilha que faz a clonagem de cartões Riocard e usam da tecnologia para inserir os créditos sem pagar.

“Eles utilizam os denominados cavalos, que são as pessoas que ficam nas estações abordando os usuários do serviço, coagindo os usuários a pagar o preço abaixo do valor tabelar. A pessoa está achando que está comprando um simples bilhete, um simples cartão para ingressar no transporte público quando, na verdade, atrás disso há uma gama criminosa de alta complexidade”, disse o delegado André Neves.

Até o fim da manhã, já chegava a sete o número de presos e a operação para prendê-los ainda estava em curso, ou seja, novas prisões eram esperadas.

Segundo a polícia, os bandidos montaram uma pequena empresa do crime, com setor de compras, que trazia cartões em branco do Paraguai, um setor de operação técnica, para instalar equipamentos nos validadores nas estações que pegam informações dos cartões de passageiros.

E um setor de tecnologia, que com os dados roubados pelo equipamento instalado nos validadores fabricavam os clones. Além, claro, do setor de vendas, responsável por oferecer passagem mais barata nas estações de transporte.

Em cinco meses de investigação, a polícia descobriu que a quadrilha movimentou uma grande quantidade de dinheiro usando os cartões clonados. De passagem em passagem, do ano passado pra cá, os bandidos arrecadaram mais de R$ 2 milhões, segundo a polícia.

O delegado destacou que outra parte do grupo é responsável pelo trabalho mais violento. Um vídeo revelou um dos criminosos roubando um dos validadores numa estação do metrô de Copacabana.

Em menos de um minuto, o equipamento vai para mochila do criminoso. Segundo a polícia, é a partir deste equipamento que a quadrilha consegue os dados usados para a clonagem de cartões.

Quando o grupo não conseguia instalar o aparelho para copiar informações, destruía o equipamento para obrigar a concessionária a instalar um novo.

Ao todo, 36 pessoas foram indiciadas por organização criminosa. Dentre elas, dez já tinham sido presas, quatro delas responsáveis pela clonagem dos cartões.

A Fetranspor – responsável pelo sistema Riocard – diz estar colaborando com a polícia e mantém uma vigilância permanente contra as fraudes nos cartões.

“Quando isso ocorre, basicamente clonar um crédito em vários cartões e que esse valor clonado ele não entrou para os cofres públicos e para a Fetranspor, automaticamente alguém paga por isso e basicamente são os contribuintes”, enfatizou João Ferreira, que é consultor de fraude da Fetranspor.

A polícia agora quer chegar aos chefes da quadrilha. Já sabe que há envolvimento de ex-funcionários das concessionárias de transporte.

O delegado responsável pelas investigações apontou, ainda, que para poder agir nas estações, os criminosos são obrigados a pagar taxas para a milícia e para o tráfico. É bandido roubando bandido.

“É uma organização bem articulada e nociva. Há diversas estações com presença de milicianos extorquindo quem atua lá, quando há também envolvendo o tráfico de drogas, quando há estações, onde há atuação do tráfico de drogas na comunidade. Isso tudo é monitorado pela Polícia Civil, as investigações prosseguem e em breve virão mais respostas aí”, afirmou o delegado André Neves.

A Supervia disse colaborar com a investigação da polícia e que está atualizando o sistema de validação das catracas para evitar que o mesmo cartão passe diversas vezes em pouco tempo.