Operação Condominus: DRF prende um dos maiores receptadores de jóias e relógios de luxo roubados


Chega ao fim uma megaoperação conduzida pela Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRF) que desarticulou uma organização criminosa especializada em arrombar apartamentos de luxo, entrar e furtar jóias, relógios caríssimos, bolsas de marca e dinheiro em espécie guardados em cofres. Na tarde de ontem (01/05), uma equipe liderada pelo delegado-chefe da DRF, Fernando Cesar Costa, prendeu no Guarujá (SP) Carlos Alberto Diegues, conhecido como Carlinhos Português, considerado um dos maiores receptadores do país. Ele comprava artigos de luxo roubados e revendia no comércio nacional e internacional.

Na quarta etapa da Operação Condominus, policiais civis cumpriram mandado de prisão preventiva expedido pelo juiz Newton Mendes de Aragão Filho, da 4ª Vara Criminal de Brasília, contra Carlinhos Português.

Na casa dele no Guarujá, os policiais encontraram R$ 133.506, US$ 10.049 e aproximadamente US$ 100 mil em jóias roubadas, segundo levantamento feito pelo próprio Carlinhos no momento da prisão.

O receptador foi preso por policiais da DRF no momento em que deixava seu cachorro em um petshop. Foragido, ele estava sendo monitorado nos últimos dias e a equipe esperava o melhor momento para a prisão. Ontem mesmo ele foi trazido para Brasília.

Antes de chegar a Carlinhos Português, a equipe da DRF esteve em várias cidades, desde janeiro, para detalhar o trabalho da organização criminosa: São Paulo, Guarujá, Foz do Iguaçu e Buenos Aires. Com base nesse trabalho, em quatro etapas da Operação Condominus, 14  pessoas estão presas preventivamente e dois estão foragidos. Entre os investigados, 16 foram denunciadas pelo Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) e respondem perante a 4ª Vara Criminal de Brasília pelos crimes de furto, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro em várias situações. Somadas, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.

Há três semanas, a defesa de Carlinhos Português entrou com pedido de revogação da prisão preventiva na Justiça de Brasília, mas o juiz Newton Aragão Filho negou, sob o argumento que ele não praticou um simples crime de receptação isolado, e sim integra uma organização criminosa estruturada com vários integrantes que detêm funções específicas, do furto à lavagem de dinheiro.

Furto em cobertura do Sudoeste

O caso chegou à DRF depois da ocorrência de um crime em 15 de janeiro. Duas mulheres e um homem furtaram um apartamento de cobertura do Sudoeste. Eles entraram pela porta de serviço às 14h47 e, em 30 minutos, saíram levando malas com jóias, relógios, bolsas e acessórios femininos avaliados em R$ 1 milhão.

A organização criminosa atuava livremente desde 2003, quando criminosos foram identificados pela primeira vez em um furto ocorrido em Belo Horizonte (MG). A investigação mostrou que eles tinham ramificações também na Argentina. Entre os denunciados, há uma peruana e um espanhol.

Na primeira etapa da Operação Condominus, ocorrida em fevereiro, os policiais civis prenderam sete pessoas, entre os quais os supostos cabeças do esquema, entre eles, Raquel Veríssimo, Alcyr Albino Dias Júnior e Alecssandra Navarro Polillo, apontados como os principais envolvidos nos furtos em apartamentos.

Alcyr foi preso no aeroporto de Guarulhos, depois de ser deportado de Buenos Aires, em 10 de fevereiro, assim que desembarcou na capital argentina, quando já estava sendo monitorado pelos policiais civis do DF.

Raquel e Alecssandra foram presas duas semanas depois, em 24 de fevereiro, em Foz do Iguaçu (PR).

Na primeira fase, foram apreendidos R$ 10 milhões em jóias e artigos de luxo e dinheiro em espécie. Os produtos roubados eram mantidos em guarda-volumes alugados pelos criminosos. Vítimas de Brasília e de outras cidades reconheceram seus bens e já recuperaram parte do que perderam nos furtos.

Na segunda fase da investigação, a DRF prendeu o receptador Javier Bulnez Martinez, que seria sócio de Carlinhos Português.

Na terceira etapa, a equipe de DRF conseguiu prender, em Buenos Aires, Priscila Galhego Luiz, com o apoio da Interpol e da Polícia Federal argentina. Ela tambêm é considerada uma das mais importantes integrantes do esquema.