Oligarquia lava dinheiro, crocodilos passam fome

Um viveiro hondurenho com mais de dez mil crocodilos tem as suas contas bancárias congeladas por suspeita de lavagem de dinheiro. Os pobres animais começam a desesperar. Para os incautos que se aproximem, vale a advertência: "Cuidado com os crocodilos".


As autoridades norte-americanas congelaram as contas bancárias da família Rosenthal, proprietária do gigantesco crocodilódromo, que ocupa um terreno de 30 hectares. Os Rosenthal são uma das famílias mais ricas da oligarquia hondurenha, donos de bancos, jornais, imóveis, empresas turísticas, agrícolas e de criação de animais.

A família encontra-se todavia sob investigação desde o início de outubro, por suspeita de lavagem de dinheiro e tráfico de droga, a pedido da Justiça norte-americana. O patriarca da família, Jaime Rosenthal, chegou a ser presidente do país e sempre foi, até agora, considerado intocável. Um outro dos Rosenthal, Yankel, antigo ministro hondurenho, foi detido em Miami pela polícia norte-americana.

Segundo a Agência France Press (AFP), das acusações resultou o congelamento das contas e a interrupção da alimentação, desde há várias semanas, dos animais da Cocodrilera Rosenthal. À mesma AFP declarou um empregado da firma que "os crocodilos estão a morrer de fome; já morreram 40". O próprio empregado está há duas semanas com o salário em atraso.

O jornal hondurenho La Tribuna, atento às consequências da crise, analisou a eventualidade de os crocodilos passarem a comer-se uns aos outros – algo que os zoólogos consideram provável, e que preocupa as associações protectoras dos animas.

Segundo os mesmos zoólogos, os crocodilos são animais com especial inclinação para o canibalismo, porque são conhecidos episódios numerosos em que as fêmeas devoram as suas próprias crias. É certo que a sua dieta habitual é constituída por outras espécies (peixas, mamíferos, etc.) – mas não têm preconceitos.

De momento, o Instituto de Conservação Florestal tem procurado adiar o momento dramático em que ecluda a guerra civil inter-crocodiliana, fazendo doações de carne de frango e de vísceras de peixe. Mas a quantidade pode ser insuficiente porque o apetite de dez mil crocodilos é, a bem dizer, insaciável.

Silvia Alfaro, presidente de uma associação animalista, "La Casa de Noé", manifestou as suas preocupações: "Os biólogos disseram-nos que, se esses animaizinhos continuarem assim, vai ser um desastre, porque, quando chegar o momento de não poderem sobreviver, vão comer-se uns aos outros e podem sair das jaulas e vão pôr em risco as aldeias próximas".

A oligarquia hondurenha trafica droga e lava dinheiro, e os pobres animais sofrem as consequências, como vítimas colaterais. É caso para dizer: coitadinho do crocodilo.