Novo relatório do mensalão aponta desvios no Banco do Brasil


O relatório final da Polícia Federal sobre a origem do dinheiro do mensalão aponta descontrole nos gastos do Banco do Brasil com publicidade e propõe um inquérito para apurar o "incrível poder discricionário" dos diretores do banco para indicar empresas "agraciadas com recursos públicos".

Os recursos repassados pelo BB seriam uma das principais fontes do mensalão, esquema montado para compra de apoio político no Congresso no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a PF, o desvio "somente seria possível com a participação ativa de membros da instituição financeira". As informações são da Folha de S. Paulo.

Entre 2001 e 2005, o BB teria retirado R$ 151,9 milhões de sua cota no Fundo Visanet. Desse total, R$ 91,9 milhões foram repassados à DNA Propaganda, agência de publicidade do empresário Marcos Valério, acusado de ser o principal operador do mensalão. Parte do dinheiro teria sido desviada por Valério e seus sócios, enquanto o restante teria sido destinado a negócios fictícios e empresas que não existiam formalmente na época dos repasses.

Há casos em que a DNA se "apropriou" diretamente de recursos destinados a ações de marketing do BB. Em 2003, a DNA retirou, como "bônus", R$ 579 mil de um contrato de R$ 2,5 milhões assinado com uma casa de shows.

O BB respondeu ao jornal dizendo que o fundo não era administrado pelo banco e tinha natureza privada e que só comentaria o caso, "se necessário, aos órgãos competentes".

Há ainda empresas que, segundo a PF, não comprovaram "a efetiva veiculação de publicidade", entre elas a TV Globo, que teria recebido R$ 2,8 milhões em 2003 para "publicidade futura". A emissora informou que recebeu recursos para campanha do cartão Ourocard (BB), veiculada de agosto a dezembro de 2003.