Nelma Kodama, condenada na Lava Jato e ex de Youssef, é investigada por receptação de joias roubadas

Doleira nega crime. Foto em rede social mostra Nelma usando joias de rubi avaliadas em R$ 150 mil que foram roubadas de mansão no Morumbi.


A doleira Nelma Kodama, condenada na Operação Lava Jato, está sendo investigada agora pelo crime de receptação de joias roubadas. Segundo a polícia, ela aparece numa foto em uma rede social usando joias que uma moradora do Morumbi, bairro nobre de São Paulo, diz que foram levadas num assalto à casa dela.

Nelma Kodama ficou conhecida após cantar a música “Amada Amante” durante um depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras (veja vídeo abaixo). Ela tinha sido presa em 2014 e solta em 2016, após assinar acordo de delação premiada. A condenação dela na Lava Jato foi de 18 anos de prisão. A doleira atuava em parceria com Alberto Youssef, com quem chegou a ter um relacionamento amoroso.

De acordo com a polícia, o conjunto de par de brincos, o anel e o pingente de rubis que aparecem sendo usados por Nelma em foto em rede social são avaliados em R$ 150 mil. A moradora do Morumbi que teve a casa assaltada em agosto do ano passado diz que os acessórios foram feitos com exclusividade para ela.

Nelma nega receptação

A doleira nega a receptação e diz que as joias foram oferecidas por um comerciante. Segunda ela, a sua vontade era saber o valor dos acessórios na intenção de intermediar alguma negociação, de comprar por um preço e vender por outro.

Agora a Polícia Civil de São Paulo apura o crime de roubo e receptação de joias e objetos de valor levados da mansão. Imagens de câmeras de segurança mostram criminosos armados com fuzis dentro do imóvel. Não havia ninguém em casa no momento da ação. Os bandidos arrombaram o cofre e levaram objetos avaliados em milhões de reais.

Duas semanas depois, dez integrantes dessa mesma quadrilha foram mortos pela polícia quando assaltavam outra mansão no Morumbi.

Dona identificou fotos com joias roubadas

Foi a dona da casa que entregou as fotos da doleira para a polícia. A vítima diz que, como as joias são exclusivas, tem certeza que o conjunto usado por Nelma é o mesmo que foi levado pelos criminosos.

“Eu não receptei nada”, disse Nelma ao ser perguntada se poderia ser uma receptadora das joias roubadas. A reportagem do Fantástico conversou com Nelma no prédio onde ela mora, na Zona Sul de São Paulo.

“Essas joias me foram oferecidas através de um comerciante, e quando ele me ofereceu essas joias eu quis saber o valor, quis saber a avaliação delas e passei para uma outra pessoa”, contou. “Falei: ‘me entregaram essas joias aqui, essas peças, estão me pedindo um valor de 30 mil, vale isso?’ […] Na intenção de intermediar alguma negociação, de comprar por um preço e vender por outro”, completou.

Vendedor de joias de Cuiabá

Nelma contou que fez as fotos a pedido desta segunda pessoa, que seria um vendedor de joias de Cuiabá (MT). “Ele falou ‘tira umas fotos pra mim, coloque na sua mão para eu ver o tamanho da peça’. […] Eu coloquei a joia pra colocar a dimensão da peça. Só isso”, explicou.

Nelma diz que o vendedor de Cuiabá, então, passou as fotos para possíveis clientes. Entre elas, estava a própria dona das joias, vítima do roubo. “Ele falou ‘espera aí que eu vou passar pra algumas pessoas’. Aí ele passou pra algumas pessoas que eu acredito que foi pra própria vítima, mas ele não falou nada. Ele falou ‘Nelma, é uma peça difícil de se comercializar porque não é uma coisa clássica, Não é uma peça barata’”, contou ela.

Segundo Nelma, depois disso, ela devolveu os rubis para a primeira pessoa de quem os recebeu.”Seria um receptador que passou essas joias pra senhora?”, questionou a reportagem.

“Não. Essa pessoa é um comerciante que normalmente ele apresenta umas joias de pessoas que precisam vender ou de leilões da Caixa Econômica. Então não tem origem de roubo nenhum. Jamais essa pessoa entraria na minha casa se eu soubesse uma história dessas”, disse Nelma, que informou já ter comprado joias da mesma pessoa no passado.

O advogado de Nelma, Adib Abdoni, disse não haver indícios de crime. “Teve uma busca e apreensão na casa dela, não existiu nenhum tipo de indício que teria qualquer objeto do crime, que eram do roubo. Ou seja, não há nada que incrimine a Nelma.”

O nome das pessoas citadas pela doleira não são mencionados nesta reportagem porque as investigações ainda estão em andamento. Os investigadores fizeram uma operação de busca e apreensão na casa da doleira, mas não encontraram as joias. Ainda assim, Nelma é investigada pela polícia.

Vida de luxo

Nelma levava uma vida de luxo antes de ser presa na operação lava jato, em 2014. A doleira fazia parte do esquema que movimentava o dinheiro da propina paga a políticos e diretores da Petrobras. Ela também tinha uma relação íntima com o também doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da Lava Jato.

Condenada pela Justiça, Nelma cumpre a pena em regime aberto diferenciado: não pode sair de casa à noite e nos fins de semana e tem que usar tornozeleira eletrônica.