Mulher que gastou 18 milhões no Harrods esteve 9 dias presa (é da Lei McMafia)

Zamira Hajiyeva, uma cidadã natural do Azerbaijão, é a primeira pessoa detida, no Reino Unido, ao abrigo da chamada Lei McMafia, a nova legislação anti-corrupção, depois de ter gasto uma fortuna no país. Só em compras nas lojas do famoso Harrods gastou 18


Zamira Hajiyeva, de 55 anos, virou celebridade mundial depois de se ter tornado na primeira pessoa detida ao abrigo da Lei de Riqueza Inexplicável (Unexplained Wealth Orders ou UWO em Inglês). Esta legislação entrou em vigor em 2018, e tem por objectivo combater a lavagem de dinheiro em terras de Sua Majestade.

Os gastos exorbitantes efectuadas pela cidadã do Azerbaijão, que vive em Londres, e que é casada com um banqueiro condenado por corrupção no país asiático, chamaram a atenção das autoridades britânicas.

Só em compras no Harrods, o centro comercial mais luxuoso e mais famoso de Londres, Zamira gastou 18,2 milhões de euros em cerca de 10 anos, conforme avança a imprensa britânica. Jóias, relógios, perfumes e vinhos fazem parte dos gastos da senhora Hajiyeva que utilizava 35 cartões de crédito diferentes, para efectuar as suas compras.

Os cartões seriam todos do Banco estatal do Azerbaijão, onde o marido, Jahangir Hajiyev, foi presidente. Em 2016, o banqueiro foi condenado a 15 anos de prisão por fraude e desvio de verbas da ordem dos 2,5 mil milhões de euros.

Zamira tem, agora, que justificar às autoridades britânicas a proveniência do dinheiro que usou no Reino Unido, nomeadamente para comprar uma propriedade de 13 milhões de euros em Knightsbridge, uma das zonas mais nobres de Londres.

A mulher de 55 anos foi detida pela polícia britânica, após um pedido de extradição das autoridades do Azerbaijão que a acusam de peculato.

Após nove dias detida, Zamira foi libertada sob pagamento de uma caução de cerca de 575 mil euros. Um tribunal britânico refutou os argumentos do Governo do Azerbaijão que pretendia que ela continuasse detida até à extradição, conforme reporta o jornal The Guardian.

Os advogados de Zamira notam que ela está “confiante de que vai derrotar este pedido de extradição abusivo e politicamente motivado“, lembrando que ela é apenas “uma mãe” de três filhos que tem “os laços mais fortes com o Reino Unido”, como cita aquele jornal.

Ela está sujeita a medidas de coacção domiciliárias, nomeadamente hora de recolher, pulseira electrónica e apresentações periódicas à esquadra, estando ainda impedida de viajar.

A Lei McMafia
A UWO, que levou à detenção de Zamira, é conhecida como a Lei McMafia, numa referência à série de televisão da BBC com o mesmo nome, que se centra na família de um ex-chefe da máfia russa que vive no Reino Unido, e que aborda temas como a lavagem de dinheiro e o crime organizado internacional.

No âmbito desta nova legislação, Zamira é obrigada a explicar a origem do dinheiro que tem investido por terras britânicas. E se não conseguir fazê-lo, arrisca ver os seus bens confiscados.

Além das compras milionárias no Harrods e da propriedade de 13 milhões em Knightsbridge, Zamira terá também adquirido um campo de golfe perto de Ascot, Berkshire, no sudeste da Inglaterra, avaliado em cerca de 12 milhões de euros.

Os advogados de Zamira explicam que o facto de ela estar a ser alvo da UWO não implica que haja “qualquer delito” da sua parte, salientando que não está em causa “um procedimento criminal”, mas antes “um processo de investigação“.