MPF quer leiloar bens de bando acusado de tráfico internacional

Carros e conta bancária estão na mira da Justiça Federal


Depois de ter todo o seu esquema desvendado pela DISE (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) e a Justiça acatar a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) por tráfico internacional de drogas, a quadrilha comandada pelo megatraficante Waldir Francisco de Oliveira, 31, mais conhecido como ‘Chibiu’, pode agora perder seus bens.

Isto porque o MPF enviou à Justiça Federal um pedido de alienação dos pertences do bando. Ou seja, os dois carros da quadrilha, um Chevrolet Vectra e um Ford Escort, irão a leilão caso a solicitação seja atendida. A conta bancária que o bando utilizava permanece bloqueada e o dinheiro depositado pode ser direcionado para fundos solidários do Governo Federal. A justiça não divulgou o valor depositado.

Para que isto aconteça, no entanto, é necessário que o processo passe por todas as instâncias apelativas.

O pedido foi feito na última quinta-feira (17) e é assinado pelo procurador da República Pedro Antônio de Oliveira Machado. Ele será avaliado pelo juiz federal da 2ª Vara Federal de Marília, Luís Antônio Ribeiro Marins. Como o magistrado já irá julgar Chibiu e seus comparsas, a decisão deverá ser proferida na mesma ocasião, ainda sem data prevista.

Aliás, na próxima semana, às 14h do dia 1º, será realizada a primeira audiência do caso. Chibiu e seu irmão Daniel Augusto de Oliveira, o ‘Dani’, além de Vanderlei Batista da Silva, 42, o ‘Aritana’, Adenílson Luiz Rodrigues, 42, o ‘Marrom’, e Vanderson Vargas, o ‘Pinguim’, são esperados. Os cinco estão presos.

Já a esposa do traficante, Fernanda Barbosa Ferreira, e seu outro irmão, Alex Amarildo de Oliveira, o ‘Rico’, estão foragidos e devem ser representados pelos seus advogados.

Quadrilha tinha até químico para refino

No dia 9 de julho do ano passado, parte da quadrilha de Chibiu foi presa pela DISE em Bauru (100 km de Marília) quando transportava 17 quilos de cocaína. Investigações da delegacia especializada descobriram uma pirâmide de funções dentro da quadrilha, com a existência inclusive de um químico que atuava na capital paulista e era responsável pelo refino da droga.

Segundo a DISE apurou, poucos meses antes desta apreensão, pelo menos 30 quilos do entorpecente foram importados pelo bando que, após o refino, tiveram este valor triplicado.

Para se ter uma ideia do poderio do tráfico, o quilo da cocaína pura é estimado hoje entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. Após ser refinada e um quilo se transformar em três, a droga é repassada ao consumidor por R$ 10 o grama, gerando R$ 30 mil de retorno bruto.