MPF denuncia ex-executivos do Banco Paulista por lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta

Denunciados foram alvo da 61ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada em maio deste ano


O Ministério Público Federal no Paraná (MPF) denunciou Tarcísio Rodrigues Joaquim, Gerson Luiz Mendes de Brito e Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto, ex-executivos do Banco Paulista S.A, por lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituição financeira.

Eles foram presos na 61ª fase da Operação Lava Jato, batizada de “Disfarces de Mamom”, e são suspeitos de contratar empresas de fachada, que emitiam notas fiscais e contratos fictícios para justificar serviços não prestados. O trio está detido na sede da Polícia Federal (PF), em Curitiba.

Dessa maneira, pagamentos feitos e recebidos pelo banco no exterior eram encobertos. Pelo menos R$ 52 milhões teriam sido lavados pelos executivos do banco oriundos da Odebrecht, ainda conforme as investigações.

Também foram denunciados pela prática de lavagem de dinheiro pelos procuradores os ex-executivos da Odebrecht Fernando Migliaccio da Silva e Luiz Eduardo da Rocha Soares, além de quatro operadores financeiros.

Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto atuava como funcionário da mesa de câmbio do banco, de acordo com as investigações. Ele é suspeito de receber valores em espécie e manter contato com integrantes do “Setor de Operações Estruturadas” do Grupo Odebrecht.

Tarcísio Rodrigues Joaquim atuava como diretor da área de câmbio. Ele é suspeito de assinar contratos falsos. Gerson Luiz Mendes de Brito, que era diretor-geral do banco, também é suspeito de assinar contratos falsos.

O G1 tenta contato com a defesa dos investigados.

Investigação

Ainda conforme o MPF, a investigação revelou um mecanismo ilícito de compensação financeira com a participação de executivos do Banco Paulista.

“Periodicamente, os integrantes do Setor de Operações Estruturadas efetuavam transferências de valores em moeda estrangeira para contas no exterior em nome de offshores controladas por doleiros que, por sua vez, disponibilizavam o equivalente em reais no Brasil”, disse o MPF.

Ainda conforme as investigações, os pagamentos do Banco Paulista a essas empresas sem existência real, por serviços nunca prestados, foram justificados de maneira fraudulenta por contratos fictícios e notas fiscais falsas.

Entre 2007 a 2015, o Banco Paulista efetuou, segundo os procuradores, sem a efetiva contraprestação de serviços, pagamentos de cerca de R$ 52 milhões em favor de várias empresas.

Outros R$ 280 milhões investigados foram movimentados entre 2010 e 2017, ainda de acordo com o MPF.

Entenda o caminho do dinheiro, de acordo com o MPF

  • A Odebrecht fazia depósitos em moeda estrangeira em contas no Meinl Bank, no Caribe, que estava no nome de offshores e eram controladas por operadores de propina da empreiteira;
  • O Meinl Bank, conhecido como “banco de propina”, tinha como sócios seis pessoas, que hoje são delatores da Lava Jato;
  • Doleiros traziam o dinheiro para o Brasil e encaminhavam, em espécie, ao Banco Paulista;
  • No Brasil, o banco assinava contratos de fachada com consultorias financeiras controladas por pessoas de confiança da Odebrecht – as mesmas que eram sócias do Meinl Bank;
  • A Receita Federal apurou que essas consultorias não tinham funcionários e que 99% do seu faturamento vinham do Banco Paulista;
  • Os contratos serviam para lastrear o dinheiro, ou seja, dar a aparência de legalidade.