MPF acusa 38 pessoas por organização criminosa e tráfico internacional em duas denúncias

Entre os crimes também constam lavagem de dinheiro e operação de instituição financeira sem autorização. Em novembro de 2018, 21 suspeitos foram presos em operação da Polícia Federal em cinco estados.


O Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul ofereceu duas denúncias contra organizações criminosas dentro da investigação da Operação Planum. Em novembro de 2018, 21 pessoas foram presas em atuação da Polícia Federal em cinco estados. Ao todo, são 38 acusados.

Na primeira denúncia, o MPF acusa 21 pessoas pelos crimes de organização criminosa, operação de instituição financeira sem autorização e lavagem de dinheiro.

De acordo com a denúncia, o grupo criou uma rede de empresas fantasmas utilizadas para lavar dinheiro de criminosos. Com elas, captava os valores dos criminosos e entregava os recursos de forma “limpa” na outra ponta. Este serviço era realizado através do pagamento de despesas – lícitas e ilícitas – da aquisição de bens, assim como da remessa ilegal de valores ao exterior (evasão de divisas) e da sua internalização, mediante o sistema conhecido como dólar-cabo.

Em apenas três anos, os denunciados movimentaram mais de R$ 1,3 bilhão através de 80 mil transações bancárias, segundo o MPF.

A denúncia também aponta a ocultação de 27 bens adquiridos com dinheiro dos crimes de tráfico de drogas e por operar instituição financeira ilicitamente. Entre eles, imóveis, barcos, aviões, automóveis e caminhões.

A segunda organização criminosa denunciada é dedicada ao tráfico internacional de entorpecentes e à lavagem de dinheiro, diz o MPF. O grupo transportava de avião cocaína adquirida na Bolívia e descarregava a mercadoria na região de Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, de onde era transportada por terra para, posteriormente, ser exportada em contêineres para a Europa.

Com essa atividade, segundo o MPF, “o grupo adquiriu vultoso patrimônio”, que era ocultado em nome de laranjas ou de pessoas inexistentes (nomes falsos). Foram identificados 25 bens registrados em nome de laranjas, entre imóveis, automóveis, caminhões, barcos e um avião.

Neste segundo caso, foram denunciadas 17 pessoas.